sábado, 8 de janeiro de 2011

Eu e as centenas de "jás"

Já fui ríspido quando precisei ser carinhoso, já fui confuso quando precisei ser preciso, já mendiguei migalhas de amor quando tive todo o amor do mundo em minhas mãos.
Já calei quando precisava realmente falar, já sorri quando na verdade, queria mesmo é chorar, já passei a madrugada acordado do avesso, quando precisei dormir pra esquecer das dores.
Já desconfiei quando precisei confiar, já confiei quando tinha mesmo é que desconfiar, já me entreguei quando não quiseram amor e já desmereci alguém merecido.
Já menti quando precisei falar a verdade, já fui covarde quando a situação cobrava coragem, já desmoronei quando tinha que me manter firme e já me mantive firme por pura imbecilidade.
Já fui diplomático quando meu corpo todo tremia de vontade de ser selvagem, já fui selvagem quando o ambiente pedia diplomacia, já insultei quem merecia elogio, já elogiei quem não merecia meu respeito, já andei quando tive que correr, já corri quando precisei andar, já cai, já levantei, mas nunca deixei de amar.
Já senti dores lancinantes na alma, já causei ferimentos profundos, já estive sem rumo e já desorientei quem tinha caminho certo traçado, já namorei no mar, já cai do céu, já brinquei de ser sério e levei a sério algumas brincadeiras.
Já perdoei para ser perdoado, já amei para ser amado e hoje, mais do que nunca, entendi que o amor está presente quando a saudade sobrepuja o orgulho e então as mãos correm nuas buscando o telefone, cutucando os botões e esperando que do outro lado da linha, a pessoa amada atenda para lhe dizer ao menos um: "bom dia", e então, só então, aprendi que nada na vida é em vão, pois todos as sensações passadas nos fizeram dignos do amor.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um cego e sua clareza à meia noite

Nunca pretendi ser poeta, nunca busquei a tal da métrica, ou a coerência, fiz sim, uso exagerado delas para denotar sapiência, mas no fim, nada tive além de meras palavras jogadas ao ar que não atingem nenhuma direção.
E por mais uma vez me vejo contra a parede, queimando no fogo da paixão, mas não por estar apaixonado, e sim por estar encurralado. O amor ao surgir, fecha seus olhos para te fazer leve, pássaro cego que sempre acha que sabe a direção, mas nunca sabe de verdade nem de onde veio.
Talvez toda essa bagunça de sentimentos seja mais uma reforma na casa, uma oportunidade para tornar as coisas mais limpas, mais espaçosas, mais confortáveis, mas a verdade é que a agonia e o desconforto em desconfiar não nos dão espaço para manter sempre as linhas positivas de racíocinio.