sexta-feira, 16 de abril de 2010

D'ange saut

Num d'ange saut você surgiu, rodopiando e enviando mensagens subliminares de atração através do teu corpo cheio de volúpia, balé da sedução, semiótica da carne.
Como um anjo do pecado, carregando desejo em seus lábios, você me seduziu até esse abismo, aqui me jogo por uma chance de voar.
Tua força se reflete em teus olhos grandes e vorazes, devoradores de homens, desbravadores de mundos.
Através da tua pele eu descobri o desejo de ser tentado e o prazer de não resistir. Se já não me sei mais, isso é sinal de rendição.
Rodopie e cante em francês, corra o mundo e me faça o teu freguês fiel, você sabe que essa é uma folie a deux, seja meu antro de coragem, seja minha luz de divindade, quero ser um deus que serve, ou um servo que é um deus para você.

"Correndo pelo campo, nesse momento o vento chicoteia, vivemos em pranto, por isso as lágrimas não nos deixam ver as estrelas, mas aqui da sombra, eu vi a luz para voar para fora e te resgatar nesse amanhã incerto, serei forte, mais do que o prometido, serei mais seguro, muito mais do que o desejado, serei todo amor, mais do que o permitido."

Devaneio de um dia corrido

Venha amor! Vamos ver o sol crescer gradativamente por trás das colinas dessa cidade, eu quero te mostrar o que realmente importa nessa vida, aqui eles não podem te ferir, pois a noite pertence aos amantes. A noite pertence a nós dois.
Me dê sua mão e não solte! Quero estar em eterna sintonia nessa alegria de poder estar leve, porque toda vez que nos tocamos eu posso sentir no mais profundo de minha alma, a esperança de ser feliz, esqueça nossas confusões e nossas decepções, sinta o coração bater acelerado, sinta o nosso amor riscar o céu, eu quero você na minha vida.
Vem! Faça dos meus braços o teu castelo, vamos atravessar essa porta e transcender qualquer poema de amor, vem comigo, pois ao teu lado eu sei que posso voar, sei que posso sentir teu toque dentro dos meus sonhos, vem comigo porque eu preciso de você me fazendo sentir isso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Esconderijo

E a inspiração pra onde foi? E a capacidade de escrever fugiu?
Quero saber onde se refugiaram os sonhos, as palavras, as frases feitas que surgiam num lampejo súbito que acompanhava um suspiro profundo da alma mais decidida que já houve na vida.
Estou agora no meu esconderijo, debruçado sobre cartas e sobre palavras que agem como veneno, a confusão que eu fiz está agora acima do meu alcance.

sábado, 10 de abril de 2010

A frase

E tudo que não preciso é disso que chamam de obsessão.

O rei da dor

E se tudo no mundo tiver uma beleza peculiar? E se todo mundo for cego demais pra enxergar?
E se só eu consigo flutuar acima das coisas efêmeras?
Talvez eu só consiga lembrar de tudo ao me esquecer do que não houve. Crescendo para desistir, caindo para surpreender, o que é isso? Algum drama contorcido da vida real? Ou será minha existência estúpida que foi condenada a se perder em meio às cartas espalhadas pela casa?
Sou o achado mais perdido de todos, um par de olhos embolados em meio às camadas de emoções frias que revestem minha alma.
Quando eu me tornei essa máquina? Quando entrei nessa jornada sem esperança? Sinto isso vindo do fundo, rasgando e estraçalhando qualquer vestígio de mim mesmo.
Segure meu punho fechado, abrace meu corpo cansado, minha mente já não aguenta pensar por todos, minhas forças já não se garantem lutar por todos.
Existe logo acima da minha cabeça, uma mancha preta no sol, tem sido a mesma coisa desde quando essa chuva toda começou, será esse meu destino ser o rei da dor?

Keep me trusting

Me devore com os olhos, me belisque com as unhas, meu corpo em chamas derrete nesse fogo intenso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

4:03

4:03 da manhã e eu me afogando em algo que nem sei bem o que é, o que existe de tão intenso que me faz prosseguir ainda pensando que é bom acreditar?
Na verdade, o melhor mesmo é aceitar e abrir os olhos castigados de intensas tempestades que choveram de dentro pra fora.
Eu estou andando agora, saindo do buraco, mas esperando, até o último instante, ouvir uma palavra qualquer, talvez você nunca entenda que às vezes o adeus é uma segunda chance para recomeçar.
Ouça a voz te guiar através do dia, sinta o tempo te embalar, eu vou cuidar pra que chegues lá sem muitos contratempos, sei que será o processo mais doloroso a ser vivido, mas essa é a minha escolha, não quero ser compreendido, quero apenas cumprir com minha palavra.
Ninguém nunca percebeu o meu cansaço, ninguém nunca pegou na minha mão e disse "serei forte por nós dois", ninguém nunca enxugou minha lágrima e nem me ensinou como respirar, isso faz com que eu me pergunte se esse é meu lugar de verdade, se eu pertenço a esse mundo, ou, porventura, sou só mais um coração puro sendo apedrejado, dia após dia, só por ir contra as tendências e distribuir esperança à quem surge no caminho.

Andarilho

Não é tão simples quanto achei que seria, é difícil simplesmente andar por aí sozinho.
São tantos rostos, tantos timbres diferentes das vozes alheias que insistem em falar "tudo vai ficar bem", é tanta loucura que prefiro apenas me isolar num deserto à parte do mundo.
Meus pés cansados já não sentem tanta dor, as mãos não são tão macias e a vista já embaça devido ao sono perdido.
O sal vai se concentrando nos lábios à medida que eu ando mais e mais contra esse vento estranho que me isola do mundo.
Eu queria ser resgatado da mesma forma como resgato tantas almas, queria ser fraco na mesma medida como vejo as pessoas fraquejarem, mas não posso, não consigo, então luto por um espaço desmedido, perdido no mundo, escondido aos olhos do restante das pessoas, eu queria ser procurado da mesma forma que procuro, mas sei que ninguém nunca me achará, então me sentei hoje aqui e aqui decidi permanecer, decidir levar essa vida adiante observando os movimentos do universo aqui das sombras.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que eu não mando.

As pilhas de envelopes já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço, fazem monte pela sala
E hoje são a minha cama, minha mesa e meus lençóis
E eu me visto de saudade, do que já não somos nós.

Trecho de "As cartas que eu não mando" - Leoni.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Hallellujah

Vou dançar sobre o sol do amanhecer, acordar sem ter muito o que fazer, a não ser, viver outro último dia da minha vida.
Eu ouvi as piadas dos céticos mais fieis à existência de suas crenças contestadas, eu ouvi o quanto ela estava mal, que pena ela não saber que meu estado era pior, esses são fatos que presenciei ao andar pelos caminhos da vida.
Você está sempre pra baixo, mas isso é um engano, existem coisas na sua mente que não são reais e, coisas reais que nunca deveriam ter saído da sua mente, então dance garota, dance com o amor que nós arriscamos apostar dia após dia nesse jogo da vida e descubra que essa é a fórmula da felicidade.
Siga meu conselho senhora da dor, erga seu rosto e voe acima das nuvens, o tempo é curto demais pra sermos escravizados por dúvidas, lamúrias e arrependimentos, eu descobri isso no momento em que eu afoguei minhas mágoas num rio de lágrimas vertical, lavei minha alma e balancei as asas, voltei apenas pra fazer o resgate do seu coração, esse coração amante e inocente.
Somente os mentirosos podem ser fingidos e ingênuos o suficiente a ponto de deixar que o bom da vida se apague com o balançar dos ponteiros, só os idiotas deixam passar uma, duas, três vezes a mesma oportunidade de ser feliz, não seja, pois, um(a) mentiroso(a) idiota.
Eu percebi o potencial de crueldade em cada um, ao ver Deus chorando sobre o reflexo dos meus inimigos, nesse instante o tempo parou e o som emudeceu, essa não é uma maldita cena, mas sim a realização de um pecado.
Intrigante mesmo é ler o evangelho em uma festa de pecados e no fim não ser mais que uma alma em meio à lama da fraqueza humana, mesmo assim, faça uma prece sem deixar os bons momentos passarem, isso no caso de Deus não aparecer por aqui.
Por favor, mostre-me um pouco de coragem em seus olhos e em seu toque, retome aquela bela frase que me faz saltar de qualquer penhasco por você, não deixe que isso se perca no seu oceano de lembranças, dúvidas e receios, eu não sou só um lanche da hora do recreio, sou sim, uma refeição bem feita que irá te deixar mais forte que qualquer um jamais deixou.
Mais uma noite e mais alguns minutos de felicidade lembrando de tudo de bom que vivemos antes do fracasso final, em uma linha reta eu voo o mais rápido que consigo, faço isso na tentativa de parar o tempo e roubar a existência para nós dois, não me julgue amor, eu sou só um anjo cheio de pecados e sem nenhum arrependimento, tomando o comando de uma vida desgovernada. (Você vê a mudança?)
Champagne, festa, livros e alma, segura minha mão de novo, você sabe que ela encaixa perfeitamente na minha, vem! Vou te tirar dessa cadeira onde você costuma olhar o horizonte, e te levar onde o horizonte repousa, seremos então, esposo e esposa, talvez mais que isso, seremos a história mais confusa e mais bela de amor que já se ouviu na terra, saberei então que neste momento, devo revelar a felicidade gritando: "HALLELUJAH".

terça-feira, 6 de abril de 2010

E se

E se eu já achei o amor?
E se eu já sei quem sou?
E se já tenho as forças no máximo?
E se só me resta amar?
E se só faltar você para me completar?

Eu vivo

Eu vivo sem vergonha, sem ter medo de lutar pela honra, vivo e afirmo que tenho meus motivos e minhas motivações para viver.
Vivo e arrisco a dizer, que hoje, mais do que nunca, vivo por você.
:)

Festa de um estranho

Beba o último adeus no copo de meu deus, falta um quarto para as 4 da manhã e nesse quarto pequeno e escuro o tempo não passa, vaga e repousa sobre a cama como um bebê cansado.
Desde quando os sentidos não são tão obrigatórios quanto a satisfação da tua vida na minha? Eu queria crer no velho ditado que diz que o que os olhos não veem o coração não sente, mas algo está além da compreensão humana aqui, talvez porque essa coisa não faça parte dos designios da razão e sim, do coração.
Eu posso usar a regra de ouro pra não me apaixonar, posso continuar chorando e vendo além do que os olhos podem ver, mas sempre terminarei aqui, cara a cara com você, reconhecendo na tua face as mesmas vontades que eu tento esconder.
Não há porque mentir que não queremos um beijo que seja, esse ardente desejo não deriva da pele, mas da calmaria e, simultaneamente, do rebuliço que nós provocamos um no outro, não há mais do que duvidar, não há mais porque se lamentar, nosso amor passou por mais uma prova díficil, mas está aqui, intacto. Feridas? Sim, claro! Estas sobraram, mas estão aqui pra lembrar que até as pessoas mais bondosas são capazes de ferir.
Vem, segura minha mão mais uma vez e vamos dançar a valsa, dessa vez não quero te ver sozinha numa sala, mas sim agarrada ao meu corpo e embalando ao sabor do vento, deixa as águas desse rio da vida passarem, nós só precisamos mesmo é de coragem e força de vontade e isso meu amor, eu tenho por dois.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

21

Completar vinte e um anos é bom, mas melhor ainda é chegar aqui e saber que se viveu intensamente todos os dias desses vinte e um anos de pura batalha.

Vinte e um anos de lições.
Vinte e um anos de aprendizagem.
Vinte e um anos de amores mal amados.
Vinte e um anos e uma esperança de amar novamente.
Vinte e um anos de inquietação.
Vinte e um anos de não saber o que dizer.
Vinte e um anos de falar através do silêncio,
Vinte e um anos de expressões pelo olhar.
Vinte e um anos de muita preguiça.
Vinte e um anos de muita maestria em prosear.
Vinte e um anos de querer bem a todos e ao mundo.
Vinte e um anos indo contra o mundo.
Vinte e um anos a procurar.
Vinte e um anos batalhando.
Vinte e um anos vencendo (algumas).
Vinte e um anos perdendo (outras).
Vinte e um anos sem arrependimento.
Vinte e um e muito mais.

Poetas

Somos poetas de falsos sentimentos,
De inebriantes ornamentos poéticos.

Somos poetas de pouca (Ou nenhuma) poesia,
De cenas inventadas e mistificadas.

Somos poetas quase em todos os tempos,
De amores patéticos e textos quilômetricos.

Somos poetas de noite e de dia,
De mil vidas mal amadas.

Somos poetas de rua, ou de casa.
Somos patetas platônicos,
Sem vergonha na cara.

Somos poetas sinceros, rimando entre:
Marcelo, marmelo e martelo,
De caráter singelo.

Somos poetas que sofrem em silêncio,
Poetas que declamam suas dores em tom baixo.
Somos somente poetas.

Anjos e insetos

Entre anjos e insetos eu vou andando, rasgando o manto da solidão e subindo sem olhar pro chão.
Aqui no alto não há dinheiro, nem obsessões, não existem posições sociais e nem reputação a construir, há apenas o vácuo que me ouve e me faz mergulhar numa revolução de ideias, ao passo em que você segue como um escravo do sistema da moda, da estupidez, da semiótica mesquinha de todos os deuses de óculos escuros estranhos e letras ridiculamente desumanas.
O amor, a vida, a paixão fugiram comigo para este lugar, desdenhando qualquer tipo de merda que ouse nos desejar, as posses se foram e, com elas, o medo de não agradar, ou não ser agradado.
Você pode apenas ganhar, mas descubra antes quem você é de verdade, suba alto o suficiente pra se sentir livre, não pense no medo de quebrar a cara ou de cair em desgraça, vivemos assim mesmo, entre anjos e insetos, batalhando por um espaço único no universo.