sábado, 4 de fevereiro de 2012

Recorde-me

Lembrei do tempo que ia certo sobre a lareira que, apaixonada, nos fitava apaixonados com as mãos entrelaçadas. Hoje o tempo é tão incerto e a lareira é tão fria quanto o inverno; sim! Eu ainda permaneço aqui, no repouso do encanto de tudo aquilo que pensávamos, contando os pássaros que se acumulam na janela, ansiosos por mais um beijo iluminado sinalizador do começo de toques improvisados e calores acumulados que iam fujões e dispersos por toda nossa atmosfera... você lembra? A NOSSA ATMOSFERA!
Me pergunto quantas pegadas mais vou contar, quantas mentiras mais vou provar pra mim que são de fato, mentiras. Não desejo mais desculpas, nem medicamentos, não desejo mais conselhos, nem sábios, nem abraços camaradas, pois a única jornada que posso desejar é o caminho à nossa casa, a nossa boa e velha casa.
Não tenho argumentos para te permitir novos sonhos, mas tenho lembranças e fotos em sépia, cartões de viagens e outras maquiagens que ainda escondem a minha dor de saudade.
Traga a mim o teu sorriso, apenas uma vez mais, por favor, este é meu único vício, o sabor delicioso que tem a visão do teu belo sorriso simétrico, combinando ligeiramente com a tua voz maravilhosa que ia ecoando pelo mundo da nossa sala. Recorde-me e me acorde em um novo dia, numa nova cama, numa nova razão, num lugar onde eu possa ter um novo coração e esteja protegido do frio inútil que me fez esquecer todo o doce que há no mundo.
Recorde-me e recorde da felicidade, estamos tão perto de quebrar as paredes da realidade, vem que nesta Sexta ainda cabe a cesta de frutas que enfeitava o centro da nossa mesa, vem, esta é a minha coragem de recomeçar, de me ferir, de ir buscar por mais uma vez, o teu belo sorriso.