terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mudo

E mais uma vez o tempo passou rápido pra mim, estava tão distraído que nem percebi quando você partiu e muito menos lembro se ouvi o que você disse na sua ida.
Somos racionais o suficiente para planejar o amanhã, mas idiotas demais para viver o hoje, minhas dores não são tão fortes, meus medos não são os piores, minha sensibilidade não é a mais poética, mas minha dúvida é certa, continuo voando por céus nublados na esperança de um dia achar o sol, eu poderia te ver mais uma vez? Eu deveria te ver mais uma vez?
Siga, apenas siga pelo caminho sem se questionar sobre sua chance real de vitória, não olhe pra trás procurando por respostas que possam responder as perguntas que já foram respondidas, era tão simples sair, abraçar, beijar e no fim da noite te amar, éramos fogo e ar, combinação perfeita de elementos, nossos opostos eram reais e unidos pela diferença assustadora de nossas mentes, dois corações vadios e largados pelo mundo.
Viver a vida sem eira ne beira, mas com dois braços pra servirem de refúgio, essa era nossa principal forma de pensar, a mesma forma que moldava os contornos dos nossos lençóis e temperava o calor da atmosfera do nosso quarto, mas de repente a luz apagou e o frio invadiu meu eu pela janela da minha alma, dentro de mim ecoa o som de um mar que nunca se acalma, feroz irriquietação, agora sou apenas um desafio a ser vencido e a vencer, para me desafiar você precisa ser forte, algumas coisas nunca se explicam, algumas buscas nunca terminam, mas eu não vou parar até me sentir vivo o suficiente para continuar sorrindo, eu sei que isso machuca você, mas em mim isso mata, então repouso mudo pelas nuvens de um céu raso que impera ilimitado dentro das quatro paredes do meu quarto.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Multidão

Voltando pra casa junto com o sol que se põe aos poucos e vai se despedindo com preguiça, deixando um rastro em tons de dourado e rosa.
Meus passos passam cansados pela calçada, cabelo arrepiado e ares de quem sobreviveu a mais uma batalha, paro na esquina e tomo um café forte, são seis da noite e seis milhões de pessoas que passam pelas veias de asfalto dessa cidade, meus olhos castigados e ardidos, apenas observam as idas e vindas de quem venceu e de quem perdeu, mas há algo em comum entre todos na multidão, a esperança de um novo amanhã.
As estrelas nascem e mistificam a noite, um ar bôemio e romântico, a semântica da vida nos acordes do violão, paro quieto no sofá da sala, mas minha alma é hiperativa e minha mente nunca para, acabo afogando as ânsias e a armagura do dia em alguns goles de vinho, nada é tão bonito e simultaneamente tão triste quanto a falta de um abraço sob a luz da lua, a mesma luz que flerta com minha melancolia todas as noites.
Em minhas mãos não se repetem aquelas palavras, mas ecoam gritos silenciosos que clamam por uma companhia que te faça rir e acreditar que existe mais do que simples lutas por sucesso na vida, quero fraquejar por paixão, ser ingênuo, me perder em planos e devaneios, pintar a casa com uma cor qualquer que possa agradar você, seja lá quem você for, após tudo isso, me dou conta do quanto faço parte da multidão.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um Heroi.

Eu tenho nas mãos um amor, um amor meio louco, sem visão, audição, olfato, tato ou paladar, é um amor sem eira nem beira, sem começo, nem meio e pelo visto, muito longe de ter um fim, é um amor meio desvairado, cheio de neuras, sonhos e compromissos do acaso, mas é um amor que é versátil e moldável, cabe na palma da mão, numa imaginação ou até ocupa todo esse espaço que existe dentro das quatro paredes desse quarto.
Invariável, estupidamente sem nexo, mas não precisamos de nexo quando se há amor, pois no amor vem embutida uma razão peculiar, devota aos sentimentos, mas perfeitamente capaz de ler nas entrelinhas do corpo e da alma de quem se deseja. Então os dedos se entrelaçam, tua boca tão macia se perde na minha que toma postura agressiva e investe movimentos vorazes contra os teus lábios, que por sinal, não hesitam nunca em se entregar aos meus.
Somo dois amantes unidos abençoados pela lua e unidos pelo vento, o mesmo vento que leva nossas carícias, ânsias e saudades, pelas suas correntes, então eu sou um homem que não só ama, mas ama na mais profunda essência do amar, buscando na simplicidade do sentimento, a complexidade de se manter firme perante as tempestade, pois nem medo, nem tempo, nem distância, hão de me render à derrota dessa batalha, assim que o esforço recompensar, eu serei o sorriso que brilhará em meio a tantas feridas, só pra te agradar e te fazer acreditar que eu sou o teu heroi.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

HOMENAGEM A UM CERTO DANIEL

Que houve meu amigo? Já não ouço mais seus gritos estridentes, nem suas piadas inteligentes, nem sinto mais teu abraço de irmão mais velho, que houve Daniel? Deixaste de correr os riscos? Paraste de ser aquele rapaz trabalhador e singelo? Onde está agora aquele abrigo que guardavam os conselhos mais úteis? Me diga o que aconteceu, você dobrou a esquina e deixou uma multidão de fãs que não pensam duas vezes em assumir a admiração pela tua existência, todos lamentando aos prantos a partida do "maluco lezão". Não sei, não tenho respostas, não as quero responder, nem mesmo me importa saber porque motivo, seja ele divino ou terreno, você partiu, mas com você se foi aquele pedaço que cada um de nós guardava consigo, então sentimos o vazio, ele é frio e esquisito, ainda mais quando surge assim, repentino.
Não vou mentir que, "revolta" é a palavra que traduz meus ânimos, mas tenho que admitir que, "fé" é a herança que você deixou de recordação para nos reanimar as forças, então só tenho fé de que você vai em paz, repetir sua missão no céu, faça os anjos gargalharem, anime o paraíso, pois esse teu sorriso e essa tua gargalhada de homem moleque, ficarão guardadas pra sempre em nossos corações e um dia, sua filha nos sorrirá da mesma maneira, pois essa é a lição que você deixou e eu, como um bom "amigo-filho-irmão", continuarei com todo o prazer.

VÁ EM PAZ DANIEL, QUE SEU DESCANSO SEJA REPLETO DE LUZ E SERENIDADE.

"mesmo que o luto doa, seu sorriso nos traz risadas, mesmo que a mortalha te cubra, nossos sonhos serão a nuvem que te levará até os portões do paraíso, mesmo que o tempo passe, em nossos corações existirá viva a imagem de alguém que soube viver a vida."

LUTO EM SUA HOMENAGEM DANIEL!

domingo, 13 de setembro de 2009

Chuva, frio e paixão.

Era um dia chuvoso, desses que faz frio e nos deixa com preguiça, um dia tão nublado que nem sei que graça teve, mas por algum motivo, não deixo de ter a impressão que foi o dia mais feliz da minha vida.

Você estava aqui, tão perto de mim que posso jurar que senti seus cabelos molhados se esparramando em meu peito, sua pele macia, aquele seu jeito calado e um sorriso lindo que me enfeitiça. Aliás, que feiticeira! Alguém sem imagem, uma paixão que se torna concreta só pelo pensamento e pelo sentimento, te sinto tão perto de mim que me perco no sonho de te encontrar dentro desse lugar.

Às vezes parece que o caminho é cheio de pedras e totalmente deserto, mas então percebi que estava caminhando de cabeça baixa, percebi através da tua existência que surgiu como a mão que ergue meu queixo e me faz enxergar as pessoas ao redor, tua luz, tua paz, até tua tristeza e tuas dúvidas me fazem ser o que sou, então em dias tão fechados e sem luz, eu posso dizer que encontrei a minha luz em tua paixão.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Alguém para alguém.

Então estou nessa situação mais uma vez, em pé, diante do espelho, procurando entender quem sou e, se sou o que sou por querer ser alguém para alguém.
A uns meses viro a noite, quase íntimo da madrugada, umas horas rebelde, outras calmo, por alguns instantes me torno amante da solidão ao passo que o sereno me guarda enquanto eu sonho sono noite a dentro. Na mesa, livros e mais livros compõem uma bagunça que faz todo o sentido do mundo para mim, posso falar do sol e ir até a lua, posso falar da água e terminar em whisky, sei até que consigo velejar pelos sete mares sem sair da minha cadeira, mas se posso tanto, por que ainda não tenho o acalanto de alguém que achou a paz?
Talvez eu seja mais vivo do que pensei, eis que enquanto meu coração me prega peças, minha mente o adverte e tenta me convencer a dar ouvidos à razão, mas com todo o charme da paixão, porque dar ouvidos à ela? Se tudo que mais quero é me declarar homem romântico, de inúmeros sorrisos e prantos. Posso perder horas a fio falando dos meus sonhos, as minhas expectativas, posso confessar que todos os dias saio de casa pensando que vou encontrar meu grande amor, mas hoje não foi assim, é até estranho, sinto algo faltando, é irônico a forma como você se entrega sem saber se é recíproco, mas mesmo assim, me entreguei, então me decepcionei, só hoje entendi que meus olhos são do vento, denotam toda a gentileza, compaixão, coragem e uma boa pitada de tesão pra apimentar meus romances, porém, é um olhar que passa despercebido, guardado por trás de óculos castigados pelo caos de um calor infernal que me queima a fronte e me remete à saudade do frio.
No fim, termino novamente entregue aos cinco sentidos que operam em mim, beleza não é graça, nem de graça é meu amor, queria poder dizer que esperaria por anos a fio por um sorriso que me salve da minha própria frieza, mas acho que a cada passo que dou, estou mais longe do meu amor.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cisma

Me perdi nas linhas de uma folha de papel, como quem se perde dirigindo pela estrada, coração acelerado e as dúvidas desiguais que me viraram do avesso, eram dois caminhos, incertos, loucos, revirados.
Tinha então nas mãos, além do volante, uma responsabilidade, era dono do seu destino, mas percebeu o quanto isso exigia força de vontade e coragem pra traçar os rumos retos da vida de um cara de palavras tortas.
Você não percebe, mas o tempo vai e leva a cada andar do ponteiro, um pedaço teu, aos poucos, você será somente um vazio em mim, então enxergue os olhares à sua volta, entenda que eu não sou ninguém parecido com as outras pessoas, no fim, decida quem eu sou pra você.
Até lá, me deixa viver andando, sorrindo e beijando quem me ama de verdade.
;)

Acordado e sem medo

E é engraçado ler as cartas que nunca enviei, estou aqui parado e pensando, digitando toda a saudade que sinto da tua falta do que dizer enquanto eu falo nos mínimos detalhes sobre tudo que penso, relatando todos os sentimentos e sensações que tive durante o dia.
A inspiração vem na madrugada, chega de mansinho com as mãos dadas com a solidão e me faz companhia até as pálpebras pesarem uma tonelada, ou mais. É um som cansativo esse que flutua pela atmosfera da sala, olho para as paredes e as vejo iguais, ao passo em que se tornaram tão diferentes, já não estou só, sei que a tua companhia se faz presente agora mesmo, entorno o capuccino que se tornou o ícone do nosso amor, o aroma vai aos poucos me embalando o sono, enquanto lentamente, vou me sentindo preso ao azul intenso dos teus cabelos, é! Esse azul que contrasta com o verde dos teus olhos e que de alguma forma, me faz sentir o cara mais próximo de você, mesmo que a distância omita o fato consumado que é a nossa história, é tudo tão estranho, mas quando me deito é tudo tão normal, sou só um mortal acreditando no amor, dedilhando as cordas do violão, na esperança que você ouça as canções que componho pra você, isso mesmo! As canções que componho só pra você, então quem sabe, num dia desses em que você se sente mal com a pressão baixa, toque no rádio esta música singela e confusa, mas que é certeira em todas as certezas que tenho sobre as respostas que o teu sorriso guarda para todas as perguntas que existem nas entrelinhas do meu ser, que seja assim então, um só, uma só, dois sozinhos e um sonho, meu coração inundado de saudade daquele mundo teu que ainda nem conheci, mas sei que amo, pois toda a tua existência hoje é parte de mim.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Aquele cara

Passos largos que eram dados com toda a pressa do mundo, um vagabundo que sorria pro vento. Suado, passava com ar de rapaz jogado, lia todas as entrelinhas de todos aqueles olhares que lhe cruzavam o caminho, calava a boca do mundo com seus headphones no ouvido, tentava acalmar a fúria de seus pensamentos, sentia o vento e passava a mão nos cabelos, treinava os discursos mais bonitos e inflamados, imaginando a declaração de amor perfeita para o amor ainda não revelado.
Se perdia em um bar, ouvindo o som de um violão que lhe cantava a paz à sua alma enquanto, sentado sozinho, anotava todas as sensações, num dia herói, noutro vilão, tinha sonhos e um coração trincado pelos choques daquilo que chamam amor, queria acreditar em tudo que lia, que assistia, que ouvia, mas as experiências da vida só lhe mostravam o contrário pois, a boca nunca é tão amarga quando se beija a solidão.
Decepção e esperança, um drink que espanta, entornava o copo em um gole só, deixando a esperança prevalecer por último, às vezes chorava enquanto a mesma história se repetia pelos dias agitados, mas entendeu que no fim, sentia tudo aquilo que deveria sentir, eis que terminou sorrindo no sofá, esperando o dia por um beijo que lhe vire a cabeça de um jeito que o faça viver os contos de amor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Este som boêmio.

Um barzinho no meio do nada, meia noite, Billy Paul me fazendo dançar bêbado feito um boêmio sem eira nem beira, nem endereço, somente o apreço da platéia e o prestígio da miséria que insiste em morar nos bolsos.
O mundo é mais lindo do que os nossos sentidos falhos nos mostram, existe mais beleza naquele sorriso do que você pode ver, são imperfeições assimetricamente perfeitas, é uma lua tapada pelas nuvens, uma lua que brinca de esconder com você, enquanto você se perde entre os pedaços de algodão que flutuam no ar.
Areje sua mente, sorria, sente na calçada e sinta o ar bater na sua face, venha, vamos correr noite à fora, vamos à forra na gandaia, existem lugares em você para serem visitados, existem sorrisos a serem explorados, quero que você sorria e me deixe atento aos seus movimentos, cantando alto com a cara de pau que tenho, improvisando enquanto tropeço no meu inglês inventado.
Vamos sair desse lugar calmo e ultrapassado, garota, você sabe do meu potencial, você sabe que me quer e sabe que eu sou o homem certo pra você, por que me deixar ir com a noite e as estrelas? Seremos eternamente uma festa que segue pela efemeridade dos 2 litros de aguardente dessa garrafa.
Não se prenda a tabus que lhe são impostos, ser inconsequente não é sinônimo de fracasso, jogue tudo pro alto quando não aguentar mais, pode jogar, eu estou aqui e aparo em movimentos malabaristicos todos teus sonhos e tabus, ei garota, é cedo, vá e corra, depois volte e me diga o que viu, me fale o que sentiu e se este é o fim do mundo, ou, o começo da nossa história.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Ida e Regresso

Leve, me vejo de encontro aos céus, eu avisei antes de sair que eu não volto se não conseguir, então ela chorou de saudade antecipidamente, segurou contra o peito o abraço que eu nunca dei e lembrou das palavras que eu nunca disse.
Em uma velha caixa de sapatos, repousam nossas fotos amareladas pelo tempo, lembro que você sorria feito uma criança ganhando presente, lembro até daquela festa onde dancei o que tinha que dançar e fiz o que tinha que fazer, ao término da noite, quando o sol anunciava sua vinda, me vi descalço na praia segurando meu paletó, ofegando e com um sorriso de canto na boca, lembrando que a tempestade hoje é calmaria.
Queria te mostrar onde cheguei, segurar tua mão e te fazer sentir flutuando no ar, mesmo com os pés no chão, mas se acaso você se perder navegando em suas dúvidas não se desespere, eu estarei aqui pra não te deixar se perder nesse mar, lembro que escrevia pra ninguém, mas todos gostavam, lembro que na janela do meu quarto ainda bate a sombra da árvore que, por muitas vezes, foi a chave do meu universo, hoje sou a porta que dá acesso a felicidade, através dos meus olhos você verá o mundo, através dos meus dedos você desvendará enigmas e mistérios, pela minha força vencerá duelos, enquanto isso te levo atrás do meu sorriso, causando o sentimento de paz e confiança, eu disse que não volto se não conseguir, mas falei isso só pra fingir e dramatizar, pois meu amor, eu hei de voltar até do inferno pra sentir teu nobre ar belo que cavalga minha tez e contorna minha dor, sou de olhos de tormenta, mas tu é a cura, não se assuste, eu estou de volta, mais alegre do que nunca.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sonho de amor

Podemos fingir que o mundo rodou bastante até nos deixar tontos o suficiente pra vomitar todo o orgulho que há em nós.
Me deu as mãos e correu bem rápido, nem sei qual sua intenção, mas sei que do seu lado sempre brilham mais estrelas do que o meu, é engraçado passar o tempo deitado e largado ao relento enquanto você se recosta sobre meu peito e fala sobre seus objetivos e suas amarguras.
Então a manhã nasce e nós acordamos na varanda, adoro tua cara de sono com ares de felicidade, adoro tua simplicidade, teu corpo lindo vestido somente com a minha camisa larga, é tudo tão bonito que eu simplesmente me entrego a essa paixão.
Sedução em olhos pequenos que me hipnotizam durante a tarde, tua vontade se torna a minha, então no calor que reina abaixo da linha do Equador, tua boca encontra a minha, descobrimos então que não existem horários pra amar.
Amo esse teu sorriso de canto de boca, que se segue por uma mordida no lábio inferior, revelando tua satisfação e tua felicidade, então eu me vejo preso ao teu cabelo preso, lírios, rosas e jasmins, todos os melhores perfumes operam em mim, gradativamente me vejo cercado pelo teu encanto, então nós nos deitamos no sofá até a música acabar, você se encolhe nos meus braços e os segura como se fossem teus apoios que te mantém firme enquanto o vendaval passa, então nossa tarde se encerra em um beijo que proclama ao mundo a paixão máxima de dois corações bobos que fingem ser durões pra não encarar suas fraquezas.
Quero que a noite venha devagar, dando tempo suficiente pra eu te beijar, tua pele macia que se perde na minha, nossas pernas entrelaçadas no silêncio da sala, somos dois em um, um amor em dois corpos, duas almas eternamente apaixonadas, somos o objetivo de todos os mortais e imortais, somos a lição que a vida procura, o medo que evitamos por tanto tempo, hoje apenas nos encoraja, eis que somos sol e lua, branco e preto, ternura e desejo queimando no sofá.

Nosso caminho

Memórias e melodias, fragmentos de uma vida que ecoam como fantasmas em um poço sem fundo.
Era mais que música, era uma saída pra acreditar que ainda existem mais dias como aquele em que sorri, você me diz que é minha pela eternidade, mas e se a eternidade não existir? Seria um motivo a mais pra não nos arrependermos de nada, eu acho que você sabe o quanto sou teu, mas lembre-se que ninguém é de ninguém por completo, então respire fundo e pense bem se este abraço é realmente o melhor abraço do mundo, entenda que as rosas são lindas, mas tem carregam espinhos pra se defender.
Estou na varanda dançando com o sereno, enquanto a insônia aplaúde as verdades que descobri, sou mais forte do que imaginei, tão forte que nem dependo mais tanto de você quanto imaginei, mas ainda sim, sinto que se você virar de costas parte do meu mundo vai abaixo, então amor, fale baixo enquanto eu estiver aqui, grite sempre quando eu perder a noção do tempo falando bobagens, esta é a minha viagem, mas me acompanhe e descubra no mundo o que eu descobri, quem sabe então nós dois façamos isso valer realmente valer a pena, é uma vida tão linda, apenas segure minha mão e siga, este é nosso caminho.

Viva la vida

Era uma doce melodia, luz na estrada, poeira alta, poesia vadia. Uma escada que me leva às estrelas, uma nuvem espessa com espaço pra caminhar, então eu me deito sobre os sonhos e faço ecoar minha felicidade, é um calor que não vem do sol, mas de mim.
Meu violão faz minha sorte, já nem sou mais aquele coitado a mercê dos amigos, quero me perder em pesamentos, me lançar do penhasco e voar a sabor do tempo, tempestades furiosas, calmarias memóraveis, aventuras, ao som do nobre Djavan caminho com as mãos no bolso e um sorriso que cumprimenta a vida.
Levantem as cortinas, este é o show da felicidade preenchendo a vida vazia, meu samba de moleque e molejo generoso, meu cavalheirismo estúpido que supera a ignorância, lua cheia, oceano azul, paz divina, pérolas lindas, me perco em pensamentos, enquanto em mim cresce a mais pura e radiante alegria.
Alma rasa e calma, um rio que passa com seus mistérios, piadas sem graça mas totalmente hilárias, a diáletica de um vagabundo, as risadas do mundo em meu peito, que fique claro, muito claro: Viva la vida!