domingo, 4 de setembro de 2011

Défaite


Dias quentes na cidade, um clima abafado e mesmo assim, ainda sinto o frio da solidão. Ainda não aprendi como se diz "adeus", talvez por isso eu não saiba aceitar um bom "adeus".
A sala está inundada de lembranças recicladas, emaranhadas com as notas desafinadas deste piano melancólico que me faz perceber a impossibilidade de um agrave na situação atual.
Neste exato momento, estamos despencando em cantos diferentes da capital, do lado de cá eu sinto como se tudo isto fosse um abismo sem fim, mas e você? A que altura do sofrimento está? Será que ainda lembra da nossa valsa há oito noites passadas? E das palavras de coragem proferidas por um covarde?

"Vá em frente, quebre meu coração, vivi tempo demais no escuro da solidão para perder mais uma vez meu coração para o medo de amar..."

Péssima escolha de palavras! Péssima escolha de receptor da minha locução cuja característicamarcante é a boa dicção.
É difícil de acreditar que chegamos tão longe, crucificante acreditar que terminamos tão perto e o pior é pensar que eu ainda não adquiri a noção exata da gravidade desta dor, talvez por isso eu permaneça caindo, repetindo sempre: "Vá em frente e quebre meu coração"!
Eu ouço pedidos para seguir em frente, mas não o farei pois sei que esta batalha ainda está sendo travada, eu tento lutar, eu encarno os personagens mais românticos, mas nada disso me tira da pele a sensação de que pra você, isso é exagero, é desnecessário, é afobado... e para este desprezo com meu zelo, sei não existe arma que possa combatê-lo.
Queria que ao menos soubesse que eu me viciei nas suas músicas, não as ouço somente para lembrar dos nossos momentos, mas para me convencer de que eu finalmente encontrei o sentido nelas e, ironicamente, me fizeram entender que os solos de guitarra vão me consolar.
Não se desgaste tentando me responder, não se deprima ao me ler, apenas entenda que ser exagerado é meu jeito de ser, que ser um romântico inveterado é a característica de nos mantém atados a um sentimento único e invejado: um amor mútuo que vem sendo reprimido por umapersonalidade taurina que insiste em combater meus esforços arianos.