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quarta-feira, 31 de março de 2010

Armas arcaicas

As palavras são armas, capazes de deflagrar guerras, ou dá-las por encerradas.
São armas que condenam uma alma a viver angustiada, ou até mesmo resgatá-la da dor.
As palavras são armas que cortam e não ferem, que invadem enquanto não se percebe.
As palavras são armas que cuidam do seu jardim, ou apenas o destrói e põem a tudo isso um fim.
Elas antecedem a primeira lâmina surgida, porém, são tão mortais quanto, senão, mais devastadoras.
Cuidado caro amigo! Jogar com palavras é brincar com armas arcaicas, que trazem em si a surpresa da dor, ou da alegria.

Loucura

Estou louco!
Louco pra sair e cantar
Louco pra amar e sofrer
Louco pra beber e comer
Louco pra rir e chorar.

Sim, é verdade!
Enlouqueci de bondade
Enlouqueci de desejo
Enlouqueci no teu beijo
Enlouqueci de saudade.

Estou louco!
Louco pra falar e calar
Louco pra cair e levantar
Louco pra lutar e vencer
Louco pra aprender a viver.

Sim, é verdade!
É fato que enlouqueci
Enlouqueci por viver
Enlouqueci por amar
Enlouqueci por você.

Sou um louco!
Louco por admitir [a mim mesmo]
Louco por revelar
Louco por prosseguir
Louco por acreditar. [sem temer a dor]

terça-feira, 30 de março de 2010

Texto de Drummond

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

A Um Ausente (Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dica

Poesia, leia uma por dia, pois elas só são boas em doses homeopáticas.
;)
Por: Professor Washington.

Quando tudo fica bem

Tudo bem em esquecer e chorar, eu ainda estou aqui. Continuo a cantar sobre o que acredito e o que quero, continuo a despertar o afeto em almas alheias sem me importar com o que vem depois da dor.
O vento canta bem alto em minha cabeça que não é bom ignorar o mundo e seus problemas, então vou aqui mais uma vez pra luta, espero ter sido bom o suficiente pra te guiar por um bom tempo, mas agora estou além do alcance de qualquer pessoa. Como uma estrela cadente que rasga o manto negro da noite, eu passo e não pretendo cair, é hora de pular e me sacrificar mais do que nunca, espero que os textos passados façam um novo sentido pra você, espero que ache o que busca, pois as respostas para suas perguntas você já respondeu sem perceber e sem lembrar.
Dei as costas para este e mundo e decidi correr, se um dia, porventura, quiser me encontrar, lute pra me alcançar, estarei aqui correndo e esperando alguém me encontrar.

Minha perfeita imperfeição

Eu sou aquele que diz não pro sim. O cara das mãos macias e toque trêmulo, do ritmo lento e gostoso de se acompanhar.
Sou eu de lábia famosa, de gestos malandros e atitudes de homem, sou eu o medroso mais corajoso, determinado e louco desse mundo. Sou assim meio imundo, sou quem chega em casa no fim do dia suado e fedendo, mas que fica guardado na memória alheia pelo perfume que exalo de dia.
Sou eu quem adora ficar calado em meio à multidão, mas que também ama tagarelar entre irmãos, sou eu meio torto e bem reto, dos inúmeros risos e afetos, sou eu um todo palhaço, todo largado, mas também um pouco vaidoso e, em bons momentos, perfeitamente arrumado.
Sou um romântico gélido, amante dos sonhos e da solidão, perdido entre rostos, mãos e pernas que surgem em meio à esse turbilhão, sou um ninfomaníaco engraçado, um puritano desvairado, sou um guerreiro que luta e persiste, que acredita e insiste.
Sou eu de cores e amores, de palidez e serenidade, de obscuridade no olhar e nas palavras, sou eu que quer mais gestos que declarações, mais atitudes do que promessas, sou eu que sou perfeitamente imperfeito, dançando à esmo, vagando à passeio em busca do abraço que me traga o tão buscado zelo de mulher.