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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Otimismo

Eu não falei das flores e não pereci a todas as dores de amores, transformei meus textos numa espécie de tabaco literário e cá estou eu, a fumá-los para relaxar, perto das lágrimas que nunca derramei por um motivo que jamais imaginei.
Vivi amores e eles se mostraram incompletos, sofri sem necessidade, perdi um mundo, extingui universos, mas mesmo assim, sobrevivi! É impressionante o que se faz com a força de vontade, é regozijante saber o que podemos obter através da nossa serenidade, reconheço-me como um jogador, faço parte do jogo, mas ainda não aprendi todas as regras, vamos crescendo e avançando o que há de se avançar, vamos vivendo e não paramos de cantar, há no mundo um lugar onde somente quem aprende a amar de verdade pode pisar, este lugar é aqui, onde posso sorrir, onde posso aplaudir, onde posso sentir e persistir na felicidade que me é ofertada.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O amor de quem sabe amar

Frases soltas, verdades ditas, foi-se embora o sorriso que era o sol, neste quarto sobrou somente a escuridão e às quatro da tarde, já não tenho mais companhia para assistir o preferido programa de nós dois.
Vem meu amor, adentra pela janela e deixa a porta trancada, não queremos testemunhas para o nosso ato consumado, vem comigo lavar a louça e contar aquelas piadas sem graça que nos faziam rir como duas crianças. A saber, ainda guardo o refrão daquela música na parede do quarto, meus cigarros andam apagados e as garrafas intactas, não há mais graça, nenhuma graça em me perder nos pecados. Eu sou da noite, você é do dia, mas estou aqui no claro, buscando a alça da sua blusa, o caminho pro teu beijo.
Corre pra mim e esquece o celular no trabalho, não deixa interromperem nosso ritmo, vem que há carinho, muito carinho acumulado, é muito amor pra deixar ser desperdiçado. Despedaçado.
Eu quero você da mesmo forma como os beijos anseiam por flores, como as torcidas anseiam por seus times, eu te desejo como a lua deseja o sol, como o céu deseja o mar, como as estrelas desejam os grãos de areia, eu te amo e não sei dizer de forma simples, eu apenas preciso falar e ecoar para o mundo o sentimento maior que há: O amor de quem sabe amar.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vibrato


Vai chegar a hora, durante o meio da história, em que a mulher liberta o homem ao som do mais perfeito vibrato da guitarra. Transformando nossas mágoas e piadas em hino de meia dúzia de sem-tetos e uma dúzia de sem-nada.
Uma dose de whisky, uma vitória perdida, somos o fim da política e o sobrepujar da ironia, não temos ambições exatas, não somos simétricos, somos apenas um bando de rapazes, com sonhos amarelos, buscando nas cordas da guitarra, o ápice de nossas almas.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Recorde-me

Lembrei do tempo que ia certo sobre a lareira que, apaixonada, nos fitava apaixonados com as mãos entrelaçadas. Hoje o tempo é tão incerto e a lareira é tão fria quanto o inverno; sim! Eu ainda permaneço aqui, no repouso do encanto de tudo aquilo que pensávamos, contando os pássaros que se acumulam na janela, ansiosos por mais um beijo iluminado sinalizador do começo de toques improvisados e calores acumulados que iam fujões e dispersos por toda nossa atmosfera... você lembra? A NOSSA ATMOSFERA!
Me pergunto quantas pegadas mais vou contar, quantas mentiras mais vou provar pra mim que são de fato, mentiras. Não desejo mais desculpas, nem medicamentos, não desejo mais conselhos, nem sábios, nem abraços camaradas, pois a única jornada que posso desejar é o caminho à nossa casa, a nossa boa e velha casa.
Não tenho argumentos para te permitir novos sonhos, mas tenho lembranças e fotos em sépia, cartões de viagens e outras maquiagens que ainda escondem a minha dor de saudade.
Traga a mim o teu sorriso, apenas uma vez mais, por favor, este é meu único vício, o sabor delicioso que tem a visão do teu belo sorriso simétrico, combinando ligeiramente com a tua voz maravilhosa que ia ecoando pelo mundo da nossa sala. Recorde-me e me acorde em um novo dia, numa nova cama, numa nova razão, num lugar onde eu possa ter um novo coração e esteja protegido do frio inútil que me fez esquecer todo o doce que há no mundo.
Recorde-me e recorde da felicidade, estamos tão perto de quebrar as paredes da realidade, vem que nesta Sexta ainda cabe a cesta de frutas que enfeitava o centro da nossa mesa, vem, esta é a minha coragem de recomeçar, de me ferir, de ir buscar por mais uma vez, o teu belo sorriso.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Romantismo

Falta o romantismo das pessoas na hora de encarar o mundo, vivemos em lugar cruel demais para perder as esperanças e deixar o bom senso sucumbir à loucura e à corrupção cotidiana, é entregar os pontos e tornar-se refém das atrocidades do nosso dia-a-dia.
Amar não é brega, respeitar não é careta, recusar drogas não é besteira, redimir-se não é fazer média, obedecer não é ser alienado, agora permanecer ignorante e mesquinho por opção é estupidez

Vício

Eis aqui um corpo em decomposição que vaga entre as multidões, exaurido, desgastado, olhos arriados como os relógios que escorrem nas pinturas dos quadros.
Um coração palpitante, delirante, moribundo, um coração que clama pela chance de bater mais uma vez como um coração normal, quando foi que eu acordei tão velho e ranzinza assim? Quando foi que entreguei os pontos e desisti de viver?
As decepções de certo me fizeram chegar até aqui, mas eu ainda me recuso a permitir-lhes o poder de me manter nesse estado de morte em vida, de torpor durante as vinte-e-quatro horas do dia.
Desejo novamente o ar passageiro que só se faz presente de manhã cedo, anseio novamente pelo riso gargalhado, pela sintonia com minha alma, estou desesperado! Mergulhado em um vício destrutivo; perdendo as eiras e as beiras; caindo pelas tabelas; tropeçando em vielas macias e retas; próprias para uma boa caminhada.
Tornei-me meu maior medo, meu mais repudiado inimigo, meu corpo é minha prisão e este vício é minha punição, "FORÇA!", eles gritam, coitados, mal sabem que apenas gritos de incentivo não vão me levar a lugar algum.
Estas correntes são pesadas, são resistentes, são forjadas no mais profundo desejo de não ser um ser que um covarde pode ter, eis me aqui a desabafar, eis me aqui a procurar ajuda, a implorar aos céus que seus anjos, seus santos e seus deuses, me iluminem para que eu possa sair desta caverna obscura, este é um vórtice perigoso, este é um jogo doloroso, sucumbir é fácil, fazemos isso como voluntários, mas largar de mão um coração viciado em ócio inútil é que é difícil, é doloroso, é quase impossível.
Vejam meus olhos, e saberão que por trás deste semblante desgastado, ainda queima em centelha uma vida pronta pra ser recuperada. Que venha o fim das férias, eu encontrarei a saída!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os olhos tristes de um homem

Passou por aqui debaixo de chuva, a chuva de uma única nuvem que lhe cobria a cabeça, como um chapéu cinzento. Sua fé estava apagada, percebi isso nos olhos que iam opacos, perdidos e sem vida, sua dor era tanta que até hoje me pergunto: o quanto suporta um homem sofrido?
Pelo caminho, os cacos se espalhavam, deixando um rastro de tristeza e opressão, seguindo-o, iam as irmãs Angústia e Aflição, aquele homem parecia que carregava uma lápide no bolso e um mundo em ruínas no coração, seu terno desalinhado, seu cabelo emaranhado, seu odor forte de álcool, há quantas noites não dormia? Há quantas noites não se tinha com a cama? As cores em seu corpo denotavam palidez, era como um retrato falado da própria tristeza. Pobre moço, rapaz novo, ia cruzando a Alameda dos Sertões e, entre um passo e outro, deixava brotar uma lágrima.
Sua dor, aos poucos, floresceu alegre em seus olhos, pois, agora, ele era totalmente dela, sem eira nem beira, nem aresta alguma para aparar, de corpo, mente e alma. Tropeçou, caiu e levantou com exaustidão, nem fez questão de limpar-se, mas foi andando adiante, para trás, deixou uma foto acidentada, amassada, com alguns rasgos nas pontas, a imagem era bela, contrastava com aquele ser sofrido - uma donzela, uma linda moça que parecia ser atriz de novela - no verso da foto, apenas uma estrela, uma cruz e um verso, todos com data registrada, devia ser sua amada que agora já não pertencia a esse mundo.
Vagando no escuro, o homem sumiu, não deu tempo nem de avisar-lhe sobre a perda, deixou apenas uma herança para quem seguia seu caminho: "Encontramos na tristeza, a certeza de que a beleza está além de multifacetadas personalidades, ou de roupas caras, ela está num lugar onde apenas os corações apaixonados vão pisar", após isso, deixamos os olhos tristes de um homem seguir o seu caminho sem rumo, esperando que jamais tracemos o mesmo caminho de um homem em luto.