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terça-feira, 13 de abril de 2010

Esconderijo

E a inspiração pra onde foi? E a capacidade de escrever fugiu?
Quero saber onde se refugiaram os sonhos, as palavras, as frases feitas que surgiam num lampejo súbito que acompanhava um suspiro profundo da alma mais decidida que já houve na vida.
Estou agora no meu esconderijo, debruçado sobre cartas e sobre palavras que agem como veneno, a confusão que eu fiz está agora acima do meu alcance.

sábado, 10 de abril de 2010

A frase

E tudo que não preciso é disso que chamam de obsessão.

O rei da dor

E se tudo no mundo tiver uma beleza peculiar? E se todo mundo for cego demais pra enxergar?
E se só eu consigo flutuar acima das coisas efêmeras?
Talvez eu só consiga lembrar de tudo ao me esquecer do que não houve. Crescendo para desistir, caindo para surpreender, o que é isso? Algum drama contorcido da vida real? Ou será minha existência estúpida que foi condenada a se perder em meio às cartas espalhadas pela casa?
Sou o achado mais perdido de todos, um par de olhos embolados em meio às camadas de emoções frias que revestem minha alma.
Quando eu me tornei essa máquina? Quando entrei nessa jornada sem esperança? Sinto isso vindo do fundo, rasgando e estraçalhando qualquer vestígio de mim mesmo.
Segure meu punho fechado, abrace meu corpo cansado, minha mente já não aguenta pensar por todos, minhas forças já não se garantem lutar por todos.
Existe logo acima da minha cabeça, uma mancha preta no sol, tem sido a mesma coisa desde quando essa chuva toda começou, será esse meu destino ser o rei da dor?

Keep me trusting

Me devore com os olhos, me belisque com as unhas, meu corpo em chamas derrete nesse fogo intenso.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

4:03

4:03 da manhã e eu me afogando em algo que nem sei bem o que é, o que existe de tão intenso que me faz prosseguir ainda pensando que é bom acreditar?
Na verdade, o melhor mesmo é aceitar e abrir os olhos castigados de intensas tempestades que choveram de dentro pra fora.
Eu estou andando agora, saindo do buraco, mas esperando, até o último instante, ouvir uma palavra qualquer, talvez você nunca entenda que às vezes o adeus é uma segunda chance para recomeçar.
Ouça a voz te guiar através do dia, sinta o tempo te embalar, eu vou cuidar pra que chegues lá sem muitos contratempos, sei que será o processo mais doloroso a ser vivido, mas essa é a minha escolha, não quero ser compreendido, quero apenas cumprir com minha palavra.
Ninguém nunca percebeu o meu cansaço, ninguém nunca pegou na minha mão e disse "serei forte por nós dois", ninguém nunca enxugou minha lágrima e nem me ensinou como respirar, isso faz com que eu me pergunte se esse é meu lugar de verdade, se eu pertenço a esse mundo, ou, porventura, sou só mais um coração puro sendo apedrejado, dia após dia, só por ir contra as tendências e distribuir esperança à quem surge no caminho.

Andarilho

Não é tão simples quanto achei que seria, é difícil simplesmente andar por aí sozinho.
São tantos rostos, tantos timbres diferentes das vozes alheias que insistem em falar "tudo vai ficar bem", é tanta loucura que prefiro apenas me isolar num deserto à parte do mundo.
Meus pés cansados já não sentem tanta dor, as mãos não são tão macias e a vista já embaça devido ao sono perdido.
O sal vai se concentrando nos lábios à medida que eu ando mais e mais contra esse vento estranho que me isola do mundo.
Eu queria ser resgatado da mesma forma como resgato tantas almas, queria ser fraco na mesma medida como vejo as pessoas fraquejarem, mas não posso, não consigo, então luto por um espaço desmedido, perdido no mundo, escondido aos olhos do restante das pessoas, eu queria ser procurado da mesma forma que procuro, mas sei que ninguém nunca me achará, então me sentei hoje aqui e aqui decidi permanecer, decidir levar essa vida adiante observando os movimentos do universo aqui das sombras.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O que eu não mando.

As pilhas de envelopes já não cabem nos armários
Vão tomando meu espaço, fazem monte pela sala
E hoje são a minha cama, minha mesa e meus lençóis
E eu me visto de saudade, do que já não somos nós.

Trecho de "As cartas que eu não mando" - Leoni.