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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vibrato


Vai chegar a hora, durante o meio da história, em que a mulher liberta o homem ao som do mais perfeito vibrato da guitarra. Transformando nossas mágoas e piadas em hino de meia dúzia de sem-tetos e uma dúzia de sem-nada.
Uma dose de whisky, uma vitória perdida, somos o fim da política e o sobrepujar da ironia, não temos ambições exatas, não somos simétricos, somos apenas um bando de rapazes, com sonhos amarelos, buscando nas cordas da guitarra, o ápice de nossas almas.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Recorde-me

Lembrei do tempo que ia certo sobre a lareira que, apaixonada, nos fitava apaixonados com as mãos entrelaçadas. Hoje o tempo é tão incerto e a lareira é tão fria quanto o inverno; sim! Eu ainda permaneço aqui, no repouso do encanto de tudo aquilo que pensávamos, contando os pássaros que se acumulam na janela, ansiosos por mais um beijo iluminado sinalizador do começo de toques improvisados e calores acumulados que iam fujões e dispersos por toda nossa atmosfera... você lembra? A NOSSA ATMOSFERA!
Me pergunto quantas pegadas mais vou contar, quantas mentiras mais vou provar pra mim que são de fato, mentiras. Não desejo mais desculpas, nem medicamentos, não desejo mais conselhos, nem sábios, nem abraços camaradas, pois a única jornada que posso desejar é o caminho à nossa casa, a nossa boa e velha casa.
Não tenho argumentos para te permitir novos sonhos, mas tenho lembranças e fotos em sépia, cartões de viagens e outras maquiagens que ainda escondem a minha dor de saudade.
Traga a mim o teu sorriso, apenas uma vez mais, por favor, este é meu único vício, o sabor delicioso que tem a visão do teu belo sorriso simétrico, combinando ligeiramente com a tua voz maravilhosa que ia ecoando pelo mundo da nossa sala. Recorde-me e me acorde em um novo dia, numa nova cama, numa nova razão, num lugar onde eu possa ter um novo coração e esteja protegido do frio inútil que me fez esquecer todo o doce que há no mundo.
Recorde-me e recorde da felicidade, estamos tão perto de quebrar as paredes da realidade, vem que nesta Sexta ainda cabe a cesta de frutas que enfeitava o centro da nossa mesa, vem, esta é a minha coragem de recomeçar, de me ferir, de ir buscar por mais uma vez, o teu belo sorriso.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Romantismo

Falta o romantismo das pessoas na hora de encarar o mundo, vivemos em lugar cruel demais para perder as esperanças e deixar o bom senso sucumbir à loucura e à corrupção cotidiana, é entregar os pontos e tornar-se refém das atrocidades do nosso dia-a-dia.
Amar não é brega, respeitar não é careta, recusar drogas não é besteira, redimir-se não é fazer média, obedecer não é ser alienado, agora permanecer ignorante e mesquinho por opção é estupidez

Vício

Eis aqui um corpo em decomposição que vaga entre as multidões, exaurido, desgastado, olhos arriados como os relógios que escorrem nas pinturas dos quadros.
Um coração palpitante, delirante, moribundo, um coração que clama pela chance de bater mais uma vez como um coração normal, quando foi que eu acordei tão velho e ranzinza assim? Quando foi que entreguei os pontos e desisti de viver?
As decepções de certo me fizeram chegar até aqui, mas eu ainda me recuso a permitir-lhes o poder de me manter nesse estado de morte em vida, de torpor durante as vinte-e-quatro horas do dia.
Desejo novamente o ar passageiro que só se faz presente de manhã cedo, anseio novamente pelo riso gargalhado, pela sintonia com minha alma, estou desesperado! Mergulhado em um vício destrutivo; perdendo as eiras e as beiras; caindo pelas tabelas; tropeçando em vielas macias e retas; próprias para uma boa caminhada.
Tornei-me meu maior medo, meu mais repudiado inimigo, meu corpo é minha prisão e este vício é minha punição, "FORÇA!", eles gritam, coitados, mal sabem que apenas gritos de incentivo não vão me levar a lugar algum.
Estas correntes são pesadas, são resistentes, são forjadas no mais profundo desejo de não ser um ser que um covarde pode ter, eis me aqui a desabafar, eis me aqui a procurar ajuda, a implorar aos céus que seus anjos, seus santos e seus deuses, me iluminem para que eu possa sair desta caverna obscura, este é um vórtice perigoso, este é um jogo doloroso, sucumbir é fácil, fazemos isso como voluntários, mas largar de mão um coração viciado em ócio inútil é que é difícil, é doloroso, é quase impossível.
Vejam meus olhos, e saberão que por trás deste semblante desgastado, ainda queima em centelha uma vida pronta pra ser recuperada. Que venha o fim das férias, eu encontrarei a saída!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Os olhos tristes de um homem

Passou por aqui debaixo de chuva, a chuva de uma única nuvem que lhe cobria a cabeça, como um chapéu cinzento. Sua fé estava apagada, percebi isso nos olhos que iam opacos, perdidos e sem vida, sua dor era tanta que até hoje me pergunto: o quanto suporta um homem sofrido?
Pelo caminho, os cacos se espalhavam, deixando um rastro de tristeza e opressão, seguindo-o, iam as irmãs Angústia e Aflição, aquele homem parecia que carregava uma lápide no bolso e um mundo em ruínas no coração, seu terno desalinhado, seu cabelo emaranhado, seu odor forte de álcool, há quantas noites não dormia? Há quantas noites não se tinha com a cama? As cores em seu corpo denotavam palidez, era como um retrato falado da própria tristeza. Pobre moço, rapaz novo, ia cruzando a Alameda dos Sertões e, entre um passo e outro, deixava brotar uma lágrima.
Sua dor, aos poucos, floresceu alegre em seus olhos, pois, agora, ele era totalmente dela, sem eira nem beira, nem aresta alguma para aparar, de corpo, mente e alma. Tropeçou, caiu e levantou com exaustidão, nem fez questão de limpar-se, mas foi andando adiante, para trás, deixou uma foto acidentada, amassada, com alguns rasgos nas pontas, a imagem era bela, contrastava com aquele ser sofrido - uma donzela, uma linda moça que parecia ser atriz de novela - no verso da foto, apenas uma estrela, uma cruz e um verso, todos com data registrada, devia ser sua amada que agora já não pertencia a esse mundo.
Vagando no escuro, o homem sumiu, não deu tempo nem de avisar-lhe sobre a perda, deixou apenas uma herança para quem seguia seu caminho: "Encontramos na tristeza, a certeza de que a beleza está além de multifacetadas personalidades, ou de roupas caras, ela está num lugar onde apenas os corações apaixonados vão pisar", após isso, deixamos os olhos tristes de um homem seguir o seu caminho sem rumo, esperando que jamais tracemos o mesmo caminho de um homem em luto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Choices

"Escolhas são tijolos que constituem a obra de nossa vida, se escolhes com qualidade, sua obra se manterá firme, mas se escolhes a esmo, sua estrutura correrá riscos de desabamento."

Autor: Jonathan Erick Vieira da Silva

Então é Natal

Então é Natal, um carnaval de compras, uma transação milionária, milhares de pessoas movimentado milhares de notas e moedas.
Então é Natal, não quero saber o que você fez, mas... me diga: o que você tem? O que você veste? O que você fará? Onde será a festa esse ano?
Então é Natal, não quero cear, tampouco compartilhar, quero saciar minha fome de consumo, minha ânsia por luxos, troquemos logo os presentes! afinal, é tudo que eu posso dar.
Então é Natal, o espírito natalino morreu, ou perdeu-se em meio às multidões das grandes cidades, papai Noel foi assassinado, ou roubado, ou sequestrado, ou então foi seduzido pela corrupção do estado e se mandou para uma ilha qualquer com todos os presentes.
Então é Natal, caridade, igualdade e humildade, perderam espaço pra necessidade de auto afirmação, não me interessa quem passa fome, o que importa é que EU NÃO PASSO FOME!
Então é Natal, deixem os corais perderem as vozes, as crianças se tornarem vorazes, mas cá entre nós, mudando de assunto, o Jesus desses natais é o namorado da Madonna?
Então é Natal, e agora já não existem mais cartões, nem cartas para papai noel, trocamos scraps, comentários, hashtags, nossas crianças mandam e-mails para o papainoel.fofuxo2512@hotmail.com, é o natal mais digital de todos os tempos, temos que nos orgulhar, afinal, isso É AVANÇO! (E viva o progresso).
Então é Natal, e o que você fez? E o que você fará? E onde está sua coragem de mudar?
Então é Natal, cadê o amor? Cadê a família? Cadê o valor?
Então bom Natal, não esqueça do irmão, do velho, nem do novo, pratique o amor como um todo.
Então bom Natal e um ano novo também, que seja feliz, quem souber o que é o bem.

Entrando no espírito natalino.