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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fim (do fim)

De braços abertos à beira do abismo, eu abro os olhos e respiro fundo, então tudo se resume apenas em um grito.
Deixo o vento levar as dores daqui, os olhos chorarem sua felicidade e meu coração bater forte para limpar suas mágoas, após isso, abrirei minhas asas e com minhas mãos irei iluminar o céu, esta noite olhe para cima e contemple a chuva laranja caindo sobre sua face, serei eu semeando a felicidade no teu jardim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

As paredes de papel (Estória de cinzas e glória)

Um céu iluminado e uma mão suja de terra, um par de olhos perdidos no reflexo da luz das estrelas e um rosto aquecido pelo calor de um abraço, no ar predomina o aroma leve e marcante das margaridas daquele campo.
A música entra pelos ouvidos e percorre as artérias, nesse momento eu não estou dirigindo a viagem, apenas estou sentado no banco do carona, apreciando a paisagem passar.
Você consegue sentir o tempo passando por nós? Consegue sentir o coração acelerar? Um garoto desastrado e uma garota magoada, apenas uma coisa em comum entre os dois: um coração despedaçado.
Um abraço no meio do nada e tudo começa a nascer novamente na alma, percorrendo um caminho que aquece a pele e faz tremer as pernas, um beijo sem sentido, porém, apaixonado, um ritmo incomparável, temos então o circo dos prazeres montados sobre o chão da desilusão.
Sem pensar em cicatrizes ou riscos, eles se movem sobre a grama e tem como testemunha a luz da lua e as estrelas, ornamentos divinos e notas musicais particulares que tocam na vitrola mental de ambos, como dizer não se o corpo e o coração gritam em alto e bom tom um sonoro SIM?
Então todos os dois se veem rodeados de paredes de papel novamente, quebrando o silêncio da noite com o barulho de seus corações eufóricos e os seus pés irrequietos, sejamos justos, amar é sempre uma novidade, não importa quantas vezes se ame.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Crime e o contrato

O crime deste coração que hoje jaz em paz sob escombros de paredes pesadas, foi amar demais, o crime destes olhos castigados pelas lágrimas foi o de fitar demais quem nunca os pertenceu.
O contrato do ínicio era de que não haveria um fim, o contrato do amor era entitulado "ad infinitum", mas o crime deste pobre rapaz foi ter amado demais e se amado de menos.

Caricatura da intimidade

Traços mal desenhados espalhados sobre uma tela suja de tintas de cores variadas que juntas, criavam uma nova coloração tão indigna quanto os dois corpos ali esboçados.
Um fundo musical tão triste, porém tão carnal, extraído dos filmes mais nostálgicos de C. Chaplin, uma dor borrada que borracha nenhuma consegue apagar, apenas espalhar mais a sujeira pelo quadro caótico de uma mente estúpida guardada dentro de uma floresta de espinhos afiados.
Ela está dançando sobre o palco agora, seus cabelos são como uma obra perfeita de Da Vinci, mas sua índole é tão admirável quanto o desenho tremido, criado pelas mãos de qualquer menino que tenha pego pela primeira vez no lápis e papel.
Os dois juntos em seu quadro sujo e escuro, projetaram a caricatura da intimidade, a qual arlequim nenhum consegue fitar sem chorar, a imoralidade desta obra é tão inocente que não há, indubitavelmente, ser que possa admirá-la sem menosprezá-la simultaneamente.
Garotos atrapalhados e meninas promíscuas, ambos procurando por um beijo melhor, uma transa mais ardente, um abraço mais forte, todos em um, uma orgia de características únicas que proporcionam a maior diversão que uma garota desnorteada pelos seus próprios punhos (a mentira conveniente) pode ter.
O que há a temer? O contrato da diversão não cita limites, por isso mesmo é tão temido. Uma dança erótica, um rebolado envolvente, uma dor lancinante, uma mágoa inesquecível, uma carcaça no chão, um homem chorão lamentando.
"MARCHEM!" Assim ecoou o grito na noite mais selvagem de uma cidade de bons garotos, todos carregando na carne, a caricatura da intimidade de si.

domingo, 11 de julho de 2010

Tempestade


Caia sobre este chão imundo e inundado de culpa, firmado para sustentar nossos pés que insistem em andar pra frente cambaleando com a nossa relação estúpida e fingida.
Reclame toda a miséria que te falta e cuspa no prato que comeu, o pobre Romeu que tanto te fez sorrir na cama está virando de costas debaixo das gotas de chuvas e indo embora, chega desse ar impregnado de pecados, essa noite eu estenderei meu rosário sobre a lingerie da primeira garota não tão bonita que cruzar meu campo de visão.
A mágoa é abastada quando o assunto é dor, então não reclame dos seus segredos tão escondidos que vieram à tona por si próprios. Me diga, a solidão é o que você sempre temia quando se está acompanhada de copos vazios pra te preencher de vento?
Tantos corpos que bolaram sobre, e dentro de você, qual deles chegou perto de ser como eu? É hilário e patético assistir suas lágrimas rolando pela sua cara de dor quando na verdade tudo que restou foi a saudade de me ter ao teu lado novamente, implore pra ser o que jamais será novamente, o seu heroi hoje irá voar em outro céu, pois toda a composição de minhas promessas foi jogada ao vento.
Você diz que se sente injustiçada, mas hoje você é só mais uma prostituta vestindo os trajes de uma virgem católica radical.
Em meu universo jamais entrarás novamentes, não há mais espaço neste éden que existe em meu peito, pois o meio termo acabou, sendo assim, hoje fecham-se para sempre os braços que juraram te proteger nas noites mais frias e contras os medos mais ferozes que pudessem te assolar.
Portanto, estenda-se sobre o chão e colha as lágrimas que você mesma plantou, sinta meu cheiro e ouça minha voz, mas não tente buscar meus dedos ao teu lado na cama, pois eu cuidei para não deixar nem mesmo as marcas sobre os lençóis, faça bom proveito dos seus amantes enquanto a tempestade cai, brinque com seus brinquedos enquanto o amor sério se vai com os ventos da dignidade que me levaram daqui.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Amigos


Amigos, seres indefinidos que surgem de algum lugar e vão pra não sei onde, nos rodeiam e nos suportam, muitas vezes nos magoam com suas verdades, porém, verdade seja dita, nada mais digno do que um amigo sincero.
Amigos vem em inúmeras formas e tamanhos, muitas vezes nem são da mesma raça, alguns tem quatro patas, mas agem como se tivessem duas, outros se apoiam sobre duas patas, mas vivem como se houvessem nascido para andar sobre quatro patas, mas o que fazer? São amigos, todos são esculpidos sob medida na glória infinita das mãos de Deus, logo, cada amigo carrega em si um pouco de tudo que há de bom, são nossos guias e nossos pupilos, são nossos maiores amores, porém são facilmente trocados por uma paixonite aguda, mas ainda sim, continuam lá, firmes e fortes, pois amigo é, e sempre será amigo.
Amigos mesmo não te cobram nada, mas te dão muito, muitas vezes o que parece ser uma cobrança de afeto, ou de vergonha na cara, é mais uma atitude de doação do que de petição informal feita de autoridade pra autoridade, afinal, todo amigo exerce uma enorme autoridade sobre sua opinião, sobre a roupa que usar, ou sobre o que fazer e com quem fazer.
Amigos são esperados pela vida toda, eles surgem a vida toda, eles duram a vida toda, amigos são mais que amigos, muitas das vezes aquele amigo chato é na verdade a luz da sua noite, o calor do seu dia, amigo é o cara que vai falar besteira dez trilhões de vezes na vida, mas em todas elas nós iremos rir, pois amigo que é amigo, sempre consegue nos arrancar um sorrisos.
Amigos te assistem chorar, alguns choram juntos, não por fraqueza, mas por serem tão amigos que choram conosco para nos fazerem companhia, sendo assim, amenizam o sentimento de solidão.
Amigos são tão amigos, que nos momentos mais chatos de nossas vidas, eles renunciam à amizade, mas quando menos esperamos, ressurgem das cinzas e nos presenteiam com um belo sorriso, afinal, o sorriso de um amigo é o melhor remédio.
Amigos são os esteios que Deus nos deu para que possamos construir nossos valores, crenças e dignidade.
Amigos são tão amigos, que mesmo sendo indefinidos, vindo de lugar algum e indo pra lugar nenhum, sempre continuarão sendo amigos, novamente surgindo quando menos se espera e indo para onde não se faz ideia, mas como amigos, eles estão sempre do seu lado.

Homenagem aos bons amigos. :)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Peace

Segure minhas mãos e me diga que isso é ser feliz, deixe que o vento leve aos ouvidos alheios a nossa alegria, façamos desse um mundo mais colorido e mais bonito de se viver.
O movimento certo na hora certa pode mudar o universo, então apenas feche os olhos e deixe as gotas d'água cairem do céu e te mergulharem na glória das lágrimas da mãe Gaia.
Brilho da lua, ilumina meus passos e então meu dia será mais claro também, estamos correndo lado a lado enquanto o sol se põe e a brisa de outono nos afaga as bochechas.
Você pode tentar me jogar aos leões, mas meu coração hoje ruge como um, portanto o respeito e a lealdade de um homem irão vencer a tirania de um coração mal amado, não vim até aqui pra vigiar o tempo ir embora, vim pra aproveitá-lo, ser o homem que navega pelo ar com a imponência do olhar.
É bem verdade, que alguns procuram e nunca acham, outros confiam nos seus instintos e alguns pobres coitados não tem ao menos o privilégio de ter instintos pra se guiar, glorifique-se no seu próprio esforço, então o olho da tempestade será mais ameno pra quem tem fé no peito, meus dias de desmazelo se foram, hoje é hora de erguer os punhos ao alto e inflamar uma luta pelas minhas crenças mais impossíveis, pois nada na vida tem graça sem uma boa luta, torne-se o espelho dos mais novos, o ar dos seus amigos, torne-se a causa de uma guerra, mas não seja só mais uma sombra caminhando sem perspectiva.
Meus sentidos não fazem sentido algum, mas meu coração é mais racional que o normal, então quando eu deito agradeço a Deus até pelas lágrimas que caem, pois elas sempre lavam o caminho para uma nova caminhada.
E quando duvidar da minha força, olhe meus olhos e entenda que eu esperei a vida toda pra dizer que eu sou invencivel.