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sábado, 8 de agosto de 2009

Capuccino


Este é meu presente pra você, ele não é ouro nem prata, não é uma jóia rara, é apenas café expresso com leite, não significa muito pros outros, mas é a receita que embala e tempera todo o sentimento que me leva a escrever pra você.
Assopro e ergo a xícara pela asa em direção às tuas mãos vazias, apenas um mimo pra te fazer feliz e enquanto você sorve cada gole, eu observo ansioso, quase assustado, a forma como você se perde olhando pro vazio à medida que o vapor do capuccino envolve seu olhar. Eu penso ser algo místico, mas não sendo isso, aceito qualquer definição barata pra descrever minha devoção a esse teu olhar que me prende a você.
Então o silêncio prevalece, mas ele é perfeito, nenhuma palavra se profere nos instantes em que você entorna o capuccino, ao fim de tudo, a respiração profunda e os olhos fechados são o seu "muito obrigado" e meu sorriso de canto de boca com os olhos brilhando são o meu "disponha sempre!".
Capuccino para todos nós! ^^

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Revenge!

Eu poderia te desejar toda a felicidade do mundo, mas desejo mesmo é que você se quebre em mil pedaços como eu me quebrei, não vou te dar votos de felicidade, não mesmo! Não quando todas minhas expectativas acerca daquele "nós" foram queimadas e jogadas ao vento, espero mesmo é que você chore como chorei, não sinta fome assim como eu não senti.
Sendo assim, no fim você entenderá que o que eu te dei não foi esse anel de noivado que você carrega no dedo hoje, mas meu coração e minha alma, jóia mais rara do que esse círculo de ouro repugnante que você ostenta com orgulho.

Passar mal! muito mal!

Castanho

Eram dois fárois que brilhavam até mesmo de dia, aqueles dois olhos errantes, sem rumo, inconstantes, os mesmos olhos que me prendiam à seu destino.
No caminho de fogo eles abriam uma saida, eu nunca senti tanta vida como sinto ao fitá-los, mas era um par de olhos tristes, eram sedutores, mas nunca deixavam sua tristeza de lado.
Aquele par de olhos castanhos são iguais a dois oceanos, extensos, profundos, imprevisiveis, navegá-los é uma aventura, mas ainda assim, navegarei com astúcia, a mesma astúcia que tive de chegar aqui e homenagear teus olhos tristes, mas que ofuscam toda e qualquer beleza, pois este teu castanho é o que torna meu desmazelo estúpido o raio de vida que corta os céus e me remete à beleza da tua existência.

Lúxuria inocente

Ainda lembro do abraço tão apertado que quase sufocava de tanta saudade, ainda me perco naquele olhar que me penetrava e arracanva todos os segredos da minha alma.
Ela se vai sempre deixando seus pecados em minha pele e leva minha inocência na palma da suas mãos e eu fico aqui ainda entorpecido, aproveitando os resquicios daquele beijo incandescente.
Seu toque vai além da superficie da pele, ele penetra cada camada da derme, alcança minha alma, eis que o arrepio percorre a espinha, não há nada melhor do que sua vida na minha.
E essas vontades de súbito que terminam com nossas pernas entrelaçadas debaixo dos lençois da cama, e esse olhar selvagem, cheio de volúpia com um pouco de maldade que nos remete ao desejo mais impiedoso e devastador de todo nosso pudor, essa luxúria inocente que nos remete ao pecado, mas que no fim, só nos torna mais e mais apaixonados.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Diz que me ama?

Daria o mundo e mais um pedaço do universo pra ter teu toque em meus cabelos rebeldes e maltratados, cabelos de rockeiro desmazelado.
Sentado na sarjeta olhando a lua alta, que vai cheia iluminando os passos do forasteiro, vejo teu semblante ainda do meu lado, mas é só mais um dejavu, entro com cuidado, meus passos vão calmos, giro a chave pra direito e tranco a porta mesmo esperando você voltar, faço meu capuccino da meia noite e me sento em frente ao computador pra escrever sobre quem não sou.
Meus dedos não conseguem tocar o teclado, nada sai, mesmo calmo, de certa forma sei que estou desesperado esperando você ligar.
Liga e diz que vai voltar, liga e diz que não vai mais esconder o que sente por mim, liga e fala que seus medos não são nada perto do amor que tenho pra te dar, liga pra mim só uma vez e fala que tudo o que você precisa é me amar?

Se


Se o fato de ser normal lhe incomoda, destaque-se, ou contente-se com sua normalidade.

Se a dor de um mero acaso ainda lhe perturba, arranje outro mero acaso para se distrair.

Se o sonho eterno foi tão efêmero quanto um raio, conforme-se com o pouco tempo que durou, talvez ele tenha sido maior (e melhor) do que você pensa.

Se a mania boba de olhar pro céu não é mais útil, significa que você precisa de ajuda.

Se a merda do plano de hoje não deu certo (e por sua culpa), acorde, é perigoso dormir em pé quando se vive no mundo real, você pode cair por si mesmo ou pode ser derrubado se não tiver cuidado.

Ela se foi

Ela se foi, deixou seus passos arrastados pela casa, sua voz ecoando na sala, seu cheiro nos lençois.
Na cama ainda repousam comigo as lembranças daquele corpo estonteante, cheio de contraste e nuance, temperado pela volúpia arrebatadora que andava junto a um sorriso ingênuo e angelical.
Ela se foi, deixou seus lábios nos meus, deixou até a receita do bolo de chocolate que eu tanto amo e se foi levando consigo uma boa parte da minha metade, que hoje, não é mais metade da metade que foi pra ela.
No sofá da sala ainda toco o violino, em lágrimas vejo o espaço vazio de onde ela sentava e cantava me acompanhando, o riso de outrora hoje é pranto, espanto de solidão.
Ela se foi, não deixou rumo, nem carta, nem bilhete, cruel! Deixou apenas as nossas memórias espalhadas pela casa. Não deixou pista nem nada, nada mesmo, não deixou nem motivo pra eu entender seus motivos de abandono, na fumaça do meu cigarro flutuam todos os meus demônios, no copo meio vazio, se afogam as mágoas em black label.
Ela se foi, não sei pra onde, nem de onde veio, ela veio como uma brisa arteira, confortante e vivaz, mas se foi como uma feroz tempestade, deixou apenas suas digitais pra lembrarem que nada é pra sempre.