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domingo, 26 de junho de 2011

Pequenas coisas

Vivemos na expectativa de que nossos desejos se façam cumprir, de que nossas vontades sejam atendidas, de que nossas palavras sejam ouvidas.
Esperamos por dias, meses e muita vezes por anos, pelo sucesso de uma relação que talvez nunca chegue.
Eu esperei meu tempo chegar sentado sobre uma pedra que rolou do alto da montanha, aguardei com tanto fervor que tal fé me cegou e, quando meu momento chegou, ele passou sem que eu o percebesse. Então me explique, que tipo de homem eu sou? Que maldito tipo de homem eu sou?
E se cada lágrima escorrida é uma cachoeira, então estes olhos são nascentes eternas de um espetáculo natural que se eterniza com sua beleza infinita.
Esperei muito tempo pra dizer que meu corpo reflete o estado de minha mente, esperei muito tempo pra admitir que já não sorrio como antes e, tampouco, abraço como antes, meus olhos refletem o castigo do pecado, castigo aplicado através da falta daquelas pequenas coisas que constituem um todo.
Às vezes uma palavra que falta, ou um olhar amigável, um beijo apaixonado, ou até mesmo uma lágrima derramada, pois são essas pequenas coisas que constituem o caminho, toda essa simplicidade que gera uma complexidade bonita e perfeitamente compreensível para quem tem o coração ingênuo e singelo.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Victim

Victim, saí por aí com a garrafa na mão vestindo um par de sapatos na moda, meu crucifixo de prata reflete a luz da luxúria que queima vermelha pelas ruas do centro da cidade.
É, sou um victim do pecatto, homem mal amado, rasgado pelos velhos soluços que ecoam no vácuo do meu quarto, um victim da maldade alheia, das boas intenções que me levaram ao inferno do "ser abandonado".
Sim, sou um victim bêbado, gritando "do you listen to me?", inventando riffs de guitarra desafinados, jogado em qualquer calçada, esperando, esperado, orando, suplicando pela atenção alheia e mais uns goles de cervejas.
Sim, sou eu, pierrot victim, meio assim sem sim, talhado no não, o reflexo do desgosto do desgaste de uma vida sobrevivida às custas de resquícios de paixão.
Sou eu, victim sem fim, levado ao vento, esboçado sobre o branco da razão, borrado com a tinta vermelha extraída do coração.

O choro do nobre vagabundo

Confesso! A caminhada tem sido longa e árdua e, embora acompanhado, por vezes me sinto só e perdido no vão das coisas que repousam sobre o espaço deste ambiente opaco que ocupo.
Eu sei, não é fácil, nunca foi e nunca será, mas se fosse talvez não tivesse a mesma disposição de encarar todos os meus medos e todos aqueles dedos que se voltam esticados em direção à minha face, causando o desconforto matinal que sinto todos os dias.
Quão pesado pode ser um julgamento equívocado e recheado de revolta? Quão triste pode ser o destino de alguém que agiu pelo coração e decidiu não se ater à razão do ser que hoje já não é nada além do que a poeira dos sonhos que um dia ousou sonhar?
E agora esses dias tem sido tão inusitados e imprevisíveis que eu acabo falando mais do que devia, o faço na tentativa de ir levando adiante a força que me resta através da tempestade que decaiu sobre este corpo cansado há séculos.
Há séculos meu corpo já não repousa, há séculos esta boca não se cala, há séculos essa alma não ora e, em sua oratória, só há dor e revolta, que anjos? Que versículos? Que provérbios antigos vão curar as feridas que se abriram em minha mente e me fizeram o negligente que hoje sou?
Tão antigo novamente, renovado e reprimido, esquecido ao ser lembrado como o homem mais gentil, mas que de que me vale a gentileza se não há um só ser que perceba a beleza nos olhos de quem está a um passo de perder sua fé no retorno de suas boas ações?
E sigo no sulco da terra, preenchendo o vazio com o vazio de me ser e quem sabe, vagando por aí, não esbarre com a fera que me jogou aqui? Ainda que seja assim, vos digo que minh'alma, hoje chorosa, mantém viva a fé junto com a revolta na descrença do homem em si mesmo, digno ou indigno, puro ou impuro, o importante é ser realmente um nobre vagabundo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Urro

As sombras navegam pelo mar azul que flutua livre de toda a impureza humana, eu sei que Deus poderá me odiar se eu lhe convencer a se aproximar em mim, mas não há nada mais a se fazer, é hora de tentar sem medo de fracassar.
Asas de anjos não me levarão até lá e, ainda que eu consiga voar, nada haverá naquele local que um dia serviu de jardim para todos os animais conviverem em harmonia, afinal, a cada minuto que se vai, um pedaço do Éden cai sobre nossas cabeças imundas e inundadas de ideologias sobre um falso progresso que só traz o regresso a cada passo que a humanidade realiza.
Eu desejo estar tão perto do teu rosto, mas sei que não poderei, então ao menos lutarei ao máximo para chegar o mais próximo possível de você, não tenho medo de cair do telhado, eu finalmente estou preparado para morrer sob o calor do sol.
E que rufem os tambores, pois os trovões são nada menos que as trombetas apocalíticas anunciando o inevitável criado pelo homem: A destruição de sua própria esperança.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Eu e as centenas de "jás"

Já fui ríspido quando precisei ser carinhoso, já fui confuso quando precisei ser preciso, já mendiguei migalhas de amor quando tive todo o amor do mundo em minhas mãos.
Já calei quando precisava realmente falar, já sorri quando na verdade, queria mesmo é chorar, já passei a madrugada acordado do avesso, quando precisei dormir pra esquecer das dores.
Já desconfiei quando precisei confiar, já confiei quando tinha mesmo é que desconfiar, já me entreguei quando não quiseram amor e já desmereci alguém merecido.
Já menti quando precisei falar a verdade, já fui covarde quando a situação cobrava coragem, já desmoronei quando tinha que me manter firme e já me mantive firme por pura imbecilidade.
Já fui diplomático quando meu corpo todo tremia de vontade de ser selvagem, já fui selvagem quando o ambiente pedia diplomacia, já insultei quem merecia elogio, já elogiei quem não merecia meu respeito, já andei quando tive que correr, já corri quando precisei andar, já cai, já levantei, mas nunca deixei de amar.
Já senti dores lancinantes na alma, já causei ferimentos profundos, já estive sem rumo e já desorientei quem tinha caminho certo traçado, já namorei no mar, já cai do céu, já brinquei de ser sério e levei a sério algumas brincadeiras.
Já perdoei para ser perdoado, já amei para ser amado e hoje, mais do que nunca, entendi que o amor está presente quando a saudade sobrepuja o orgulho e então as mãos correm nuas buscando o telefone, cutucando os botões e esperando que do outro lado da linha, a pessoa amada atenda para lhe dizer ao menos um: "bom dia", e então, só então, aprendi que nada na vida é em vão, pois todos as sensações passadas nos fizeram dignos do amor.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Um cego e sua clareza à meia noite

Nunca pretendi ser poeta, nunca busquei a tal da métrica, ou a coerência, fiz sim, uso exagerado delas para denotar sapiência, mas no fim, nada tive além de meras palavras jogadas ao ar que não atingem nenhuma direção.
E por mais uma vez me vejo contra a parede, queimando no fogo da paixão, mas não por estar apaixonado, e sim por estar encurralado. O amor ao surgir, fecha seus olhos para te fazer leve, pássaro cego que sempre acha que sabe a direção, mas nunca sabe de verdade nem de onde veio.
Talvez toda essa bagunça de sentimentos seja mais uma reforma na casa, uma oportunidade para tornar as coisas mais limpas, mais espaçosas, mais confortáveis, mas a verdade é que a agonia e o desconforto em desconfiar não nos dão espaço para manter sempre as linhas positivas de racíocinio.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O remorso do remorso

Toda a certeza que supomos se foi entre os dedos e agora, partidos no chão, se banham em lágrimas os cacos da nossa boa intenção.
E o meu pobre coração se vê distorcido, desistiu de querer voar, e hoje apenas luta para sobreviver. Nossos olhos passeiam pela paisagem pintada em um quadro enquanto minha boca balbucia sonhos perdidos e impregnados de dor.
Da noite pro dia eu me embebedei de ironia, fiz-me um arbusto de espinhos afiados, saí pela noite ferindo corações alheios, retalhando toda e qualquer esperança que pudesse brilhar diante dos meus olhos.
E cada fração minha hoje se afoga em remorso, em agonia... confesso que pereci aos caprichos da minha vontade, mas me reergui ao amanhecer.
Deixemos os espinhos cairem, poderemos errar sem nos esconder e na noite fria e escura, farei brilhar meu amor para cada perdido que perdeu a validade da capacidade de satisfazer a necessidade alheia.
E ao término de tudo, serei uma verdade que fará todo o resto parecer mentira, pois em cada vida há um coração, em cada cabeça há um universo que precisa de um farol para navegar entre as nuvens brancas e macias do céu azul sobre nós.