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sábado, 3 de julho de 2010

O bom senso de um último romântico (Pelo Rio de Janeiro)

Marinheiro desse oceano de caos, erga a cabeça e receba a benção dos céus, o jovem homem fará seu movimento e então o poder de suas mãos irá explodir em um espectro de cores, invadindo a alma dos homens. Nesse mundo onde a juventude é a engrenagem que se ajusta à palavra e move a história, eu sigo com meus passos maltratados de saudade, dormindo aqui e acolá na rua, rodei o mundo e num encanto de segundo o desencanto do universo veio à mão, a voz da consciência cantava como Tim Maia, então tudo era festa e num instante me vi sair do Leme e reaparecer no Pontal, o som das ondas sonoras das ondas do mar quebravam contra as pedras que são meus pensamentos, ao longe Tom Jobim assoviava para a garota de Ipanema e a noite Boêmia samba va tímida com a Bossa Nova. Hoje no Leblon João Bosco decidiu cantarolar, e então as notas dos dedos cheios de dom do senhor Santos eu descubro que vivemos o tempo do último romântico cheio de bom senso.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Daqui pra frente

Não há inspiração nestas palavras, apenas a necessidade de expor ao mundo a metamorfose de alguém que um dia sonhou.
Jamais quis ir além do que suporto, mas acabei indo, e lá onde cheguei descobri que suporto mais do que jamais imaginei, você pode me surrar e pisar sobre mim, mas nunca aponte o dedo contra meus sonhos, não tente se impor perante a grandeza de meu ser, pois agora estou mais forte do que você, caminhando em direção ao sol no fim da estrada.
O adeus tem um propósito, mas isso não significa que pra toda ida haja uma volta, então o máximo que podemos fazer é trocar um sorriso sincero quando nos cruzarmos por aí.
Daqui pra frente a dor irá para longe, seremos invenciveis, então façamos desse um mundo melhor para evitar que outros passem pelo que vivemos.

sábado, 29 de maio de 2010

Vermelho

Cabelos de fogo espalhados no colchão
Fogo incendiando o corpo e a alma
Alma que queima em brasas de paixão
Sussurros quentes da nossa perdição.

domingo, 16 de maio de 2010

Cinza

Estou voltando à estaca zero, vestido em trapos e caminhando embaixo das gotas frias da chuva, carrego algumas palavras no bolso e meu coração quebrado está guardado na mochila.
Me sento aqui na sarjeta e busco aquele velho arco íris que brilhava aqui na esquina, quem sabe seja só uma nostalgia, dessas que me fazem apertar os dedos contra as cordas do violão e extrair dele as notas mais tristes que um homem vazio pode tocar.
Então meu corpo cansado se rende à companhia da solidão e eu me sinto derrotado, injuriado pelas ações do passado,
Às vezes é preciso esquecer que a vida tem sentido, apenas me observe enquanto nós choramos juntos ouvindo aquela música que diz: "Em algum ponto da vida o pássaro tem que voar, a flor vai desabrochar e as crianças vão caminhar", vamos olhar a multidão passar sem nos notar, talvez assim você entenda que só as lágrimas serão capazes de aliviar a minha dor.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Na chuva

Ele estava lá, parado sob chuva
calado e estatelado, um rapaz bobo
olhando fixo aquelas jades lapidadas
entregue aos pingos d'água
voando sem medo de cair
sabia que há muito o que dizer,
mas também pouco tempo pra fazer,
então pediu: - "não desperdice os minutos
me abrace e vamos voar juntos
estou aqui novamente
sorrindo, e falando gentilmente
olhe no fundo dos meus olhos
estou na chuva te pedindo amor
estou na chuva assumindo a dor
mas estou na chuva por você minha vida"
E no fim tudo mudou
a terra girou e o ponteiro empacou
a multidão olhou e aplaudiu
dois amantes apaixonados
entregues ao ritmo servil
do amor que queimava na chuva.

sábado, 1 de maio de 2010

O sádico está triste

Eu procuro e nunca acho, escalo e nunca chego ao topo, estou farto de tanta besteira corrompendo minha mente, estou cansado de caminhar sem esperanças e sem força de me impor contra as coisas que me ameaçam.
O mundo está ficando menor e eu estou bem maior, grande o suficiente pra segurá-lo nas mãos e jogá-lo contra o chão, quebrando-o em mil pedaços que não poderão ser colados novamente.
Queria que você visse o quão longe eu cheguei, queria que você visse como eu me tornei íncrivel e imparável, queria que você notasse como o gelo das minhas veias queima e se transforma em sangue nos olhos para me movimentar rumo ao vazio do final dos dias.
Estou confidenciando minhas tristezas e todas as reclamações que posso fazer, ao término disso tudo, minhas costas arderão e queimarão minha camisa, estarei então recomposto e apto a conquistar tudo novamente.
Estou sozinho, mesmo segurando todas as mãos do mundo, mesmo beijando todas as bocas, esse sou eu, uma peça solitária, uma mente moldada para ser admirada ou seguida, mas não pra ser amada.
Meu paraíso é essa tempestade, prenda-se na minha armadilha mas não grite por socorro, pois ele nunca virá, estou tão longe do mundo que não posso ouvir nada além de duas ou três vozes.

Resquícios

A paz que não chega é justamente o que eu mais desejo ultimamente, decidi não ter pressa e esperar essa tempestade passar gradativamente.
Entendi que o certo é aguardar até a felicidade passar e me buscar, quero estar aqui quando ela aparecer e decidir ouvir sobre minha vida, vou falar sobre as decepções, mas acima de tudo vou agradecer.
Embora doa lembrar das minhas decepções com as pessoas ao meu redor, sei que vou me manter firme e não vou correr pra baixo da fúria da chuva novamente, então só por hoje, só por essa noite me deixa calar e ouvir uma canção de ninar pra espantar essa dor pra longe.
Olhe pra mim e me capture na sua mão, me esmague e ponha um fim a tudo isso, cansei de levar no peito a medalha de "número 1", isso não vale muito quando não há nada para ser o número 1.
Deixe guardado apenas aquele fascínio que tinha por mim e me eternize dentro da sua mente, enquanto isso eu continuo esperando pela felicidade e me livrando desses resquícios de solidão.