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domingo, 22 de agosto de 2010

Uma canção para você

E mais uma vez estou aqui, solitário na noite quente, sentado em um lugar alheio, isolado do tempo, servindo de testemunha para a lua, que sorri faceira para todos nós nessa noite.
Estou aqui com meu violão, cantando para meus ouvidos, sonhando que um dia você possa me ouvir com calma, em uma madrugada qualquer.
Garota, eu tomarei seu tempo uma vez mais, ainda que não possa me ouvir, eu gritarei para o mundo meu amor por você, eu sei que tem sido difícil conviver comigo, sei que não sou perfeito e que sou teimoso e bobo, mas meu amor, tudo que posso tocar, imaginar ou falar nesse momento é sobre você.
E todos meus esforços serão voltados a nós dois, e todas as palavras dessa minha canção para você, viajarão através do dia para os quatro cantos do mundo, mesmo que o homem se volte contra mim, eu estarei aqui, firme sobre meus passos, fazendo o melhor por nós dois, para que um dia todos eles percebam que nós fomos feitos um para o outro.
E então, quando abrirmos os olhos na manhã seguinte, segure minha mão como se não fosse largar nunca mais e com muito carinho e suavidade, sussurre em meu ouvido: "Obrigada por me amar", pois só assim entenderei que me tornei o homem simples daquela canção.

sábado, 21 de agosto de 2010

A valsa da noite

Sozinho e no escuro, encatado pela valsa da noite que toca em cada corpo dançando, e em cada beijo estalando nas pistas de dança.
Meu corpo suado se põe ao léu, buscando no céu a luz das estrelas, que hoje parecem ter escondido suas belezas, mas tudo bem! Enquanto houver amor neste coração arredio, haverá luz em meus olhos.
Sei que estás aí, talvez não esteja no mesmo escuro que eu, quem sabe esteja na cama, suspirando de saudade, mas a verdade é que não estou tão longe, pois ainda consigo te ouvir, ainda posso sentir, com certa intensidade, o calor que brota da tua tez, então por que razão não seguimos rumo à escuridão? Tememos tanto assim o desconhecido a ponto de arriscarmos nossos abraços e beijos? Ou será que os pecados soam mais alto que os gritos de nosso desejo?
Vai saber. O que importa é que por alguma razão, alguma estranha razão! Meu corpo se encontra sobre repouso, flutuando no marasmo de mim mesmo, perguntando se isso está certo, mas sem se preocupar se existe alguma resposta que me sacie a sede de argumentos da minha razão.
Enfim, que seja feita a vossa vontade, esperaremos que em algum momento, com a mais sacra sinceridade, a mão divina guie nossos corpos rumo aos espelhos que um dia refletiu nossos semblantes sorridentes que juntos, formavam o esboço da felicidade. Até lá, danço mais uma vez, preenchido de saudade, a valsa da noite.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Daiquiris, mojitos e um estúpido amigo

Foi lá pelo sexto ou sétimo daiquiri que meu corpo se deu conta de que meu fígado, tal qual meu coração, também tem sentimentos.
Um outro bêbado perdido entre mojitos, ensopado de vinho e definhando mais uma vez numa sarjeta aleatória das ruas de Santiago em Cuba.
A solidão nunca esteve tão sozinha quanto hoje, as maravilhas das virgens não são assim tão maravilhosas, uma face santa com mãos de demônio, essa é a última lembrança que ele tem do terrível impacto que sofrera um pouco antes de perder sua dignidade e sua hombridade.
Um passado de glórias enterrado sobre uma montanha de mentiras e desonras, um céu nublado e uma frieza única, o sentimento interno nunca antes fora tão aprisionado quanto atualmente, que dó de ver meu reflexo no espelho.
Resmunguei em Taíno, na esperança de que ninguém me ouvisse, mas as insolentes estrelas ouviram e reclamaram, faço-me então o inimigo de todos os malditos céus estrelados que servem de inspiração para nojentos enamorados, decepção não mata, é verdade! Ela ensina a beber.
Me afasto da lua vendo o sua melhor face, deixando com ela a lembrança do meu pior lado, é hora de por a maldita mão do coração dentro do bolso e, com a mão direita, seguir andando afogando todas as más lembranças que me dirigem à insanidade no Rum dos piratas.
Esqueça toda aquela besteira sobre amor, esqueça todos os poemas lindos, eu quero viver para sempre e sempre com meu violão espanhol e minha regozijação nos bares da vida.

Rezando por amor e pagando com ingenuidade

Uma noite, um disparo, um coração quebrado, uma dor amarga, capítulos de uma história clichê, porém, acredite, com um final feliz (para ele).
Olhos marejados que fitam o céu, mãos trêmulas que se erguem juntas ao céu, apenas mais um pobre coitado que reza por amor e paga com ingenuidade.
Que maravilha, o terror estampado na face de mais um homem sem esperança, o próximo passo é expor suas intimidades na esperança de que o sabor da vingança sobreponha a sua dor, o resto todos nós sabemos, saias rasgadas, costas arranhadas e corpos ofegantes e suados, deitados sobre rosas murchas, pisadas pelo descontrole e insanidade de um coração que já provou o gosto do amor.
Um violino tocando, gotas de chuva atravessam o céu e misturam-se às lágrimas do pierrot maltratado, seus pecados estão se tornando cada vez mais caros, a ponto de fazer qualquer católico praticante se benzer ao cruzar olhares com esse pedaço de desilusão carnificado.
Sim! Um baile vertiginoso, está lá apenas a negócios, nos quartos orgias épicas, mas tão horríveis que nem mesmo eu - narrador que testemunhou essa dor - ouso descrever, os tambores rufam e as luzes piscam, o ambiente imundo, perfeito para mal amados dançarem sobre suas mágoas e esquecerem o passado, a música melancólica, porém entorpecente, verdadeiro antro de perdição, ou nesses casos, de ascenção, um drinque de limão e uma dança encantada, encontrou um novo par, alguém que o entende, que sente medo, mas não terá medo de quebrar seu coração neste lugar encantado para os desolados.

domingo, 18 de julho de 2010

Um certo shakesperiano

As mãos no bolso escondem os punhos de um campeão, heroi anônimo que vaga em meio ao turbilhão dos dias que escorrem entre os espaços vagos dos ponterios do relógio.
Uma rosa repousa sobre a superfície da mesa, espera ansiosa, tuas mãos aquecidas a tomarem como sua propriedade. Um frio intenso na sala mostra o quão doloroso é sentir tua falta, as marcas dos dedos ficaram nos lençóis, o som dos gemidos ecoam entre essas quatro paredes, minhas roupas ainda exalam teu cheiro, algo tão forte e vivo que me faz beirar o desespero ao meu deparar com a importância da tua vida na minha.
Como eu recordo vivamente aquele par de olhos vorazes que costumavam me devorar com a volúpia inebriante que impregnava a atmosfera de nós dois, mostre-me a tua face e satisfaça meu desejo de amar, estará tudo bem enquanto tua mão estiver com a minha, o vazio do medo mais temido não há de abater nossas almas se nelas houver o amor mais puro e sincero, queimando como as brasas de uma fogueira cigana.
Ah! Como lamento pela noite que se vai sem teu corpo pra guiar o meu neste oceano de saudade, como sinto pelos suspiros, que faço a solidão assistir como testemunha, de um romântico ansioso pela amada. Sinto-me como um personagem não citado por Shakespeare, procurando um lugar ao teu lado para ser mais um dos épicos romances históricos que ultrapassam os limites do tempo, quero, contigo, compartilhar essa felicidade, te mostrar que através da minha coragem e bondade, conquistaremos a tão sonhada felicidade, pois ao teu lado sou heroi, sou principe simples, guiado pelas mãos do destino para repousar ao teu lado nas tardes quentes dos trópicos.
Quero, por fim, declarar meu amor, meu orgulho em ser homem apaixonado, em poder acordar e te ter ao meu lado, ainda que não estejas ao meu lado na cama, mas sempre estarás comigo na caminhada em busca do sucesso, pois este é o amor sincero, este amor que não se dobra com a distância nem com o tempo, pois ele está no mesmo patamar de poder dos deuses.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fim (do fim)

De braços abertos à beira do abismo, eu abro os olhos e respiro fundo, então tudo se resume apenas em um grito.
Deixo o vento levar as dores daqui, os olhos chorarem sua felicidade e meu coração bater forte para limpar suas mágoas, após isso, abrirei minhas asas e com minhas mãos irei iluminar o céu, esta noite olhe para cima e contemple a chuva laranja caindo sobre sua face, serei eu semeando a felicidade no teu jardim.

terça-feira, 13 de julho de 2010

As paredes de papel (Estória de cinzas e glória)

Um céu iluminado e uma mão suja de terra, um par de olhos perdidos no reflexo da luz das estrelas e um rosto aquecido pelo calor de um abraço, no ar predomina o aroma leve e marcante das margaridas daquele campo.
A música entra pelos ouvidos e percorre as artérias, nesse momento eu não estou dirigindo a viagem, apenas estou sentado no banco do carona, apreciando a paisagem passar.
Você consegue sentir o tempo passando por nós? Consegue sentir o coração acelerar? Um garoto desastrado e uma garota magoada, apenas uma coisa em comum entre os dois: um coração despedaçado.
Um abraço no meio do nada e tudo começa a nascer novamente na alma, percorrendo um caminho que aquece a pele e faz tremer as pernas, um beijo sem sentido, porém, apaixonado, um ritmo incomparável, temos então o circo dos prazeres montados sobre o chão da desilusão.
Sem pensar em cicatrizes ou riscos, eles se movem sobre a grama e tem como testemunha a luz da lua e as estrelas, ornamentos divinos e notas musicais particulares que tocam na vitrola mental de ambos, como dizer não se o corpo e o coração gritam em alto e bom tom um sonoro SIM?
Então todos os dois se veem rodeados de paredes de papel novamente, quebrando o silêncio da noite com o barulho de seus corações eufóricos e os seus pés irrequietos, sejamos justos, amar é sempre uma novidade, não importa quantas vezes se ame.